Crédito da imagem: Imagem ilustrativa
Torcedor-estátua da RD Congo homenageia Patrice Lumumba na Copa do Mundo
Michel Kuka Mboladinga, torcedor da República Democrática do Congo, transformou uma paixão pelo futebol em um símbolo de resistência. Há 13 anos, ele começou a se levantar durante partidas do AS Vita Club, clube da Primeira Divisão local, para prestar uma homenagem ao líder da independência Patrice Lumumba. Hoje, sua postura imóvel nas arquibancadas da seleção nacional é um dos pontos mais emblemáticos da campanha congolesa na Copa do Mundo.
A seleção congolesa, que conseguiu uma classificação histórica à segunda fase do torneio, enfrentará a Inglaterra na quarta-feira, às 13h (horário de Brasília). Mboladinga, apelidado de “Lumumba Vea”, será parte da delegação. Seu legado, que começou em estádios locais, ganhou visibilidade global durante a Copa Africana das Nações, em janeiro deste ano, quando sua imagem imóvel e silenciosa se tornou uma das mais lembradas do torneio.
Natural de Kinshasa, capital do país, Michel vivia uma vida discreta como gerente de padaria até que sua performance se tornou viral. Antes da fama, ele era convidado para eventos sociais para “interpretar” Lumumba, ficando parado por horas por um pagamento simbólico. Hoje, com a ajuda de três empresários e um segurança pessoal, sua trajetória mudou.
Para manter-se imóvel durante os jogos, Mboladinga usa um pequeno banco de madeira fabricado especialmente. A concentração e o apoio de torcedores que o cercam durante as partidas são fundamentais para evitar interrupções. Em entrevista à beIN SPORTS, ele afirmou: “Treino constantemente para aguentar 90 a 120 minutos. Patrice Lumumba representa nossa dignidade e liberdade, e quero que o mundo perceba isso.”
A ascensão de Mboladinga não foi imediata. Sua postura inusitada em meio à animação típica das arquibancadas inicialmente gerou confusão. Porém, durante a Copa Africana das Nações, sua imagem atraiu o presidente da Caf, Patrice Motsepe, que também adotou o nome “Patrice” como homenagem ao líder congolesa.
A trajetória do torcedor, porém, enfrentou obstáculos. A epidemia de Ebola na RD Congo o obrigou a passar por uma quarentena de 21 dias, perdendo a estreia da seleção contra Portugal. Além disso, problemas com vistos o impediram de assistir à vitória sobre o Uzbequistão, que garantiu a classificação para a fase seguinte.
A embaixadora da RD Congo nos EUA, Kapinga Yvette Ngandu, está tentando garantir que Mboladinga possa assistir ao jogo contra a Inglaterra, em Atlanta. O torcedor, que usa ternos de cores vivas — azul, amarelo e vermelho —, afirmou: “Estou orgulhoso de representar meu país e trazer suas cores para o mundo.”
Patrice Lumumba: O Líder da Independência da República Democrática do Congo
O nome de Patrice Lumumba é sinônimo de luta pela liberdade na história da África. Ele liderou o movimento que levou a República Democrática do Congo à independência da Bélgica em 1960, um momento marcado por conflitos e violência durante o período colonial. Estudos apontam que até 10 milhões de vidas foram perdidas na região entre o fim do século XIX e o início do XX.
O Curto Poder de Lumumba
Após a independência, Lumumba assumiu a função de primeiro-ministro em junho de 1960. No entanto, seu mandato foi breve, afetado pela instabilidade política e pelas tensões da Guerra Fria. Potências ocidentais, como Bélgica e Estados Unidos, consideravam sua proximidade com a União Soviética uma ameaça, o que contribuiu para sua queda.
Em 1961, aos 35 anos, Lumumba foi executado. As autoridades belgas e norte-americanas foram acusadas de ter participado do assassinato. Após a morte, seu corpo foi destruído com ácido para evitar que se tornasse um símbolo de peregrinação política.
O Legado de Um Mártir
Mesmo com sua eliminação física, Lumumba permaneceu como um ícone da República Democrática do Congo e um símbolo de resistência na África. Seu legado é lembrado como uma luta pela soberania e justiça, ainda inspirando movimentos sociais no país.



