
Operação Unha e Carne: STF ordena transferência de ex-presidente da Alerj para penicenciária federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta sexta-feira (4), a mudança do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, para a Penitenciária Federal de Brasília. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes e faz parte da nova fase da Operação Unha e Carne, iniciada em 2 de julho. Bacellar, integrante do Partido Liberal (PL), estava preso no Complexo de Gericinó e passou pela sede da Polícia Federal antes da transferência.
Segundo informações divulgadas, o ex-deputado estadual é acusado de repassar informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes do Comando Vermelho (CV). A PF também cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em áreas da capital fluminense e na Baixada Fluminense, incluindo a residência do ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Novos alvos e bloqueio de bens
A nova etapa da investigação resultou na emissão de três ordens de prisão preventiva. Além de Bacellar, foram presos o pastor Márcio Pôncio, detido na Barra da Tijuca, e Adilson Coutinho, conhecido como Adilsinho. O tribunal federal também autorizou o bloqueio e sequestro de bens e contas bancárias dos investigados até o limite de R$ 22 milhões.
Adilsinho, que lidera um mercado ilegal de cigarros falsificados e controla operações do jogo do bicho na Zona Norte do Rio, foi capturado em fevereiro dentro de uma mansão em Cabo Frio. Ele também responde por homicídios na região.
Documentos apontam financiamento irregular
Durante a investigação, a Polícia Federal apreendeu agendas e registros contábeis pertencentes a Adilsinho, que detalham pagamentos regulares de mesadas para parlamentares estaduais e doações clandestinas para campanhas eleitorais. Os documentos são parte das provas usadas para mapear laços financeiros entre políticos e chefes de organizações criminosas.
Atualmente, o inquérito busca desmontar a estrutura de lavagem de dinheiro ligada à nova liderança do jogo do bicho no Rio. Márcio Pôncio já prestou depoimento sobre movimentações bancárias suspeitas identificadas pelo Coaf. Advogados dos acusados tentam contestar as prisões preventivas no STF, mas o tribunal manteve os mandatos para evitar a destruição de provas.
Com informações da Revista Oeste


