Alexandre Ramagem nega extradição e prevê retorno ao Brasil

Alexandre Ramagem afirma que extradição não será efetuada e busca asilo nos EUA

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem declarou, durante entrevista à CNN Brasil no domingo (5), que sua extradição ao Brasil “não vai acontecer”. Ele destacou que o processo de asilo apresentado às autoridades norte-americanas está sendo analisado em paralelo com a solicitação de extradição feita pelo governo brasileiro.

“Estamos em segurança, lutando por um Brasil melhor aqui nos Estados Unidos”, afirmou Ramagem no estádio MetLife Stadium, em Nova Jersey, momentos antes da partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo.

Condenação pelo STF e acusações de golpe

Ramagem foi condenado em setembro de 2022, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão no regime inicial fechado. A sentença incluiu as acusações de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. O ex-diretor da Abin nega todas as alegações.

Segundo investigações da Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e Guiana logo após sua condenação, apesar do embargo judicial imposto pelo STF que proibia sua saída do país. Ele entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático e, por isso, é considerado foragido da Justiça brasileira.

Prisão temporária no exterior

Ramagem foi preso em 13 de abril pelo ICE, órgão responsável por imigração e controle aduaneiro dos EUA, após ser abordado por uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida. A detenção ocorreu porque seu visto havia expirado, mas ele foi liberado dois dias depois sem pagamento de fiança.

Enquanto aguarda a análise do pedido de asilo, apresentado com base no argumento de perseguição política, Ramagem permanece nos Estados Unidos. Ele também perdeu o mandato de deputado federal em dezembro, após decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, por faltas consecutivas.

Na entrevista, Ramagem afirmou que as autoridades brasileiras tentaram deportá-lo “clandestinamente”. “Como sabem que a extradição não será efetuada, porque é uma farsa, eles tentaram me deportar de forma ilegal”, disse. Ele rejeitou novamente a acusação de envolvimento em um golpe de Estado e classificou o processo como perseguição política.

O ex-diretor da Abin também comentou que pretende retornar ao Brasil após as eleições presidenciais de 2027. “Com essa luta, vamos virar 2027 com a eleição de Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil”, afirmou.

Com informações da Revista Oeste