Ambipar revela R$ 1,2 bilhão em créditos judiciais antes da recuperação judicial
A Ambipar, empresa de gestão ambiental, informou à Justiça do Rio de Janeiro que possuía R$ 1,2 bilhão em pré-precatórios antes de iniciar o processo de recuperação judicial. Os documentos financeiros apresentados na ação judicial mostram que esses créditos, reconhecidos judicialmente mas ainda não formalizados, são parte da estratégia da companhia para reforçar sua liquidez.
Os pré-precatórios correspondem a dívidas contra a União, estados ou municípios que foram validadas por juízes, porém não estão em estágio final de liberação. Como o valor mencionado representa o total dos títulos, não há estimativa clara sobre quanto será realmente convertido em recursos disponíveis.
De acordo com fontes ouvidas pelo Estado de S. Paulo, a crise financeira do Banco Master agravou as dificuldades da Ambipar, tornando os pré-precatórios uma alternativa estratégica para equilibrar o caixa. O banco, que tem relação histórica com a empresa, enfrenta processo de liquidação, impactando investimentos previamente feitos.
Detalhes dos ativos e operações
Os documentos entregues à Justiça revelam que a Ambipar possuía R$ 247 milhões investidos em uma instituição financeira em processo de liquidação, embora o nome da entidade não tenha sido divulgado. Além disso, a empresa mantinha mais de R$ 500 milhões aplicados em ações da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae).
A participação na Emae chegou a representar cerca de 23% do capital social da companhia. A Ambipar informa que concluiu a venda total dessas ações no segundo trimestre de 2026, não possuindo mais participações na empresa.
Outro destaque nos documentos é o investimento em fundos de créditos judiciais, com R$ 1,2 bilhão alocados nesses ativos. Antes disso, os recursos estavam aplicados em fundos lastreados em certificados de depósito bancário (CDBs).
Na comparação mensal entre setembro de 2025 e dezembro do mesmo ano, o caixa da Ambipar passou de R$ 387,9 milhões para R$ 250,8 milhões, enquanto os depósitos em bancos de primeira linha cairam de R$ 227,3 milhões para R$ 44,4 milhões. Em fevereiro de 2026, a posição consolidada era de R$ 280,1 milhões nesses ativos.
A empresa estima encerrar o ano com R$ 468 milhões em caixa e aplicações em instituições financeiras de referência. Os valores apresentados ainda não foram auditados por terceiros.
Com informações da Revista Oeste


