
Bloqueio de R$ 6,15 milhões de Cunha gera investigação sobre atuação da presidência da Câmara
A Polícia Federal encaminhou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), indícios de que a presidência da Câmara dos Deputados teria autorizado a assessora parlamentar Mariângela Fialek a desviar emendas parlamentares em favor do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A informação, divulgada no dia 12 de julho, levou Dino a bloquear R$ 6,15 milhões de Cunha por suspeita de interferência ilegal na gestão dos recursos.
Em decisão pública, o magistrado atendeu a um pedido da PF no âmbito da Operação Transparência, que investiga irregularidades no direcionamento de verbas federais. Segundo os documentos analisados, Mariângela Fialek teria agido com o aval da presidência da Casa, ampliando o risco de “promiscuidade na deliberação do orçamento secreto”, conforme apontado pela investigação.
Apesar de não ser mencionado nos relatórios, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi o responsável pela gestão da Casa durante os diálogos entre Cunha e Mariângela em 2025. Até o momento, Motta não se manifestou sobre a decisão de Dino.
Posição da Polícia Federal
A PF afirma que Mariângela Fialek “sabia que estava atuando em zona cinzenta” ao direcionar verbas conforme interesses privados. A investigação aponta que Eduardo Cunha teria coordenado diretamente a destinação de 29 emendas da Comissão de Saúde, totalizando R$ 6,15 milhões.
O relatório descreve Cunha como um “agente privado com poder político muitas vezes até maior do que o de deputados em exercício”, interferindo no uso de recursos federais sem autorização institucional.
Reação de Cunha e defesa
A defesa de Eduardo Cunha informou, por meio de nota, que o ex-parlamentar foi surpreendido com a decisão de Dino e não recebeu intimação para esclarecimentos. Os advogados destacam que Cunha não ocupa mandato atualmente e não subscreveu nenhuma das emendas investigadas.
Os defensores argumentam que o bloqueio dos recursos não comprova irregularidades, afirmando que Cunha desconhece qualquer desvio na aplicação da verba. A equipe jurídica solicita acesso aos autos do processo para garantir a defesa do cliente.
Defesa de Mariângela Fialek
A assessora parlamentar, por meio de sua defesa, reforça que atuou “estritamente técnica, apartidária e impessoal”, negando qualquer envolvimento em práticas irregulares.
As investigações continuam abertas, com a PF solicitando mais informações para esclarecer o papel da presidência da Câmara na gestão dos recursos. A decisão de Dino gerou debate sobre a transparência no uso de verbas parlamentares e a responsabilidade dos líderes da Casa.
Com informações da Revista Oeste


