Bandas recebem R$2,3 mi da Prefeitura sob regra de artistas consagrados

Investigação do TCM apura contratações de bandas pela Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo está sob investigação do Tribunal de Contas do Município (TCM) após contratar cinco bandas de rock por mais de R$ 2,3 milhões nos últimos 15 meses. As contratações foram feitas com base na inexigibilidade de licitação destinada a artistas considerados consagrados, conforme consta em documentos obtidos por meio de fontes oficiais.

Entre as bandas envolvidas está a MotorRockBr, formada no final de 2024. Apesar de não ter lançado músicas próprias e possuir apenas 300 seguidores nas redes sociais, a banda recebeu R$ 828 mil por 30 apresentações realizadas em eventos organizados pela administração municipal.

Dados divulgados indicam que a banda recebeu um cachê de R$ 30 mil por apresentação, valor acima do estabelecido pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) para grupos com cinco integrantes. O relatório da investigação do TCM destaca que as justificativas apresentadas pela prefeitura para classificar algumas das bandas como “consagradas” dependiam exclusivamente de material de divulgação produzido pelos próprios artistas.

Relação com produtor Fabrício Raveli

A investigação também apontou que outras quatro bandas vinculadas ao produtor Fabrício Raveli receberam contratos da administração municipal. As negociações envolveram a Secretaria Municipal de Cultura e a São Paulo Turismo (SPTuris). Em um dos casos analisados, a banda RockFun Legends foi paga R$ 45 mil por uma apresentação em um centro cultural municipal.

O TCM registrou que Fabrício Raveli e seu irmão, Rodrigo Raveli, participaram de uma reunião na Secretaria Municipal de Cultura no mês de agosto de 2025. No dia seguinte, a pasta iniciou o processo para contratar apresentações de bandas ligadas ao produtor.

Atualmente, o caso segue em tramitação no Tribunal de Contas do Município e aguarda o voto do relator, conselheiro Eduardo Tuma, para ser analisado pelo plenário. A vereadora Luana Santos (Psol) foi a responsável por apresentar a representação que levou à abertura da investigação.

Com informações da Revista Oeste