Chefe de produto do Uber discute hotéis, robotaxis evita ser tudo para todos

Crédito da imagem: TechCrunch

Uber amplia suas operações para além do transporte e entrega

A empresa Uber tem investido fortemente nas últimas semanas para diversificar seus serviços, explorando áreas que vão além dos setores mais conhecidos. Além da chamada por aplicativo e de entregas, o usuário agora encontra opções de reservas de hotéis em parceria com a Expedia, funcionalidades de assistência personalizada e aluguel de embarques na Europa.

No entanto, há um movimento mais discreto ocorrendo nos bastidores. Entre as novidades estão cartões de subsídio para motoristas, uma operação secundária de rotulagem de dados que permite aos colaboradores ganhar renda extra e o lançamento recente da unidade de negócios AV Labs. Esta divisão, criada há seis meses, desenvolve veículos equipados com sensores independentes do sistema convencional de motoristas, com objetivo de atingir grandes volumes de dados de condução.

Segundo a empresa, o projeto busca fortalecer relações com parceiros no setor de veículos independentes, alguns dos quais têm participação acionária na Uber. No entanto, a iniciativa também pode ser interpretada como uma estratégia de mitigação de riscos, já que a Uber compete diretamente com algumas dessas empresas, como o Waymo.

Expansão para um “super-app”?

O diretor de produtos da Uber, Sachin Kansal, explica que a empresa está explorando a possibilidade de se tornar uma plataforma multifuncional, semelhante aos super-apps asiáticos. No entanto, ele ressalta que o foco atual é expandir os serviços de viagem, considerando que mais da metade das viagens no aplicativo ocorrem fora da cidade do usuário.

“A introdução de hotéis em parceria com a Expedia foi uma das nossas principais apostas este ano. Porém, viajar envolve muito mais do que apenas hospedagem — precisamos oferecer opções de transporte, alimentação e outros serviços que os usuários demandam”, afirma Kansal.

Serviços financeiros para motoristas e consumidores

A Uber também está desenvolvendo produtos financeiros para diferentes grupos. Para motoristas e entregadores, a empresa oferece o Uber Pro Card, um cartão de débito que permite transferir todas as receitas. Já para os consumidores, há os “créditos Uber”, que podem ser usados ​​em viagens ou pedidos alimentares.

“Ainda não decidimos se vamos lançar um produto como ‘compre agora, pague depois’ (BNPL) para usuários finais. Por enquanto, estamos explorando parcerias com empresas especializadas nessa área”, diz Kansal.

Integrações e estratégias de parceria

Com o aluguel de embarques na Europa, a Uber optou por direcionar os usuários para o fluxo de reservas da parceira, em vez de integrar totalmente o processo no app. Essa abordagem pode servir como modelo para futuras parcerias.

“Em alguns casos, é mais eficiente trabalhar com especialistas antes de realizar integrações completas. Porém, quando há sinergia, buscamos desenvolver interfaces próprias”, explica o executivo.

Uber One e crescimento nos serviços

O programa Uber One, que conta com 51 milhões de membros, está gerando impacto significativo na fidelização. Dados mostram que os usuários de entregas estão aumentando a frequência de pedidos, enquanto os clientes de mobilidade também começam a utilizar o serviço de alimentação.

Além disso, a Uber Eats, que antes enfrentava dificuldades para gerar lucro, já se tornou uma operação independente e rentável. Uma empresa destacada que está focada em oferecer valor aos usuários, mesmo com a concorrência de players como o Waymo, Lyft e outras plataformas globais.

Relações com parceiros autônomos

Apesar da parceria com o Waymo em algumas cidades, a Uber decidiu encerrar o piloto em Phoenix. Segundo Kansal, o objetivo é equilibrar a colaboração com os fornecedores de veículos autônomos e manter uma rede híbrida que inclui motoristas humanos e veículos semiautônomos.

“Nossa prioridade não é ser um provedor de autonomia total, mas sim criar condições para trabalhar com múltiplos jogadores. Isso nos permite equilibrar oferta e demanda de forma mais eficiente”, afirma o diretor de produtos.

Uber avança na integração de inteligência artificial: como os dados estão evoluindo o futuro do transporte autônomo

A empresa está implantando sensores em centenas de veículos, por meio de parcerias com operadores da frota. Esses dispositivos coletaram informações de milhões de quilômetros percorridos, contribuindo para solucionar desafios complexos do desenvolvimento exclusivo — como identificar situações raras e exclusivas, e não apenas as mais frequentes.

Além dos dados brutos, a experiência acumulada por cerca de 10 milhões de motoristas e entregadores é fundamental. Anualmente, são registrados 25 milhões de itens perdidos — um desafio operacional que exige estratégias específicas para o futuro da mobilidade autônoma.

Uber vende dados para empresas de inteligência artificial?

A resposta envolve dois aspectos. Com relação às companhias de IA generalizadas, sim: há parcerias comerciais para anotação de dados e coleta de áudios, algo que se tornou parte importante do negócio. Já o compartilhamento de informações com laboratórios de veículos autônomos ainda está em fase inicial, com modelos a serem definidos.

Motoristas gravaram conversas durante as corridas?

Não há gravação de diálogos entre motoristas e passageiros durante viagens. Quando não estão ativos, os colaboradores podem participar de atividades como transcrição de áudios, por meio das quais recebem remunerações.

Como a IA já impactou os usuários?

Auxiliares digitais já estão presentes nas plataformas. Para motoristas, as ferramentas sugerem locais com maior demanda de passageiros, enquanto no serviço de entregas, os assistentes criam listas de compras rapidamente ao ouvir comandos como “leite, ovos e pão”. Nas corridas, é possível solicitar viagens por voz, informando detalhes como destino, número de passageiros e quantidade de bagagem.

Um Uber totalmente autônomo está no horizonte?

Ainda não há previsão de dados ou definição completa da funcionalidade, mas a IA será fundamental para tornar esse conceito realidade. O objetivo é permitir que os usuários simplesmente descrevam suas necessidades, enquanto o sistema gerencia detalhes como rotas e disponibilidade. A complexidade desse processo exige testes rigorosos antes de qualquer implementação.

Como priorizar ideias em um ecossistema tão sonoro?

A maior parte do tempo — entre 70% a 80% — é dedicada à consolidação de produtos existentes e futuros. Dentre as centenas de propostas, apenas algumas se mostram promissoras e ganham desenvolvimento intenso. Aos 20% restantes, cabem inovações emergentes, incluindo a experiência direta do líder de produto ao atuar como motorista e entregador.

Com informações do Techcrunch