Polícia Federal investiga pressão política ligada a fraudas no INSS
A Polícia Federal concluiu que pagamentos de R$ 10 mil mensais à deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG), feitos pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foram utilizados como forma de pressão contra o deputado federal Eros Biondini (PL-MG) durante investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Apesar da menção dos parlamentares no relatório, nenhum foi indiciado.
De acordo com o documento, a quebra de sigilo bancário revelou que Chiara Biondini recebeu valores mensais da Conafer e da esposa do operador do esquema Cícero Marcelino. Os repasses ocorreram entre dezembro de 2021 e 2022, somando R$ 60 mil.
Mensagens interceptadas entre o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e Vinícius Ramos indicaram que os dirigentes discutiam internamente os pagamentos à parlamentar. Em uma conversa, eles afirmaram que Chiara teria recebido valores durante 18 meses “sem fazer nada” e reconheceram o risco de acusações de “pagamento de propina” contra a entidade.
A investigação aponta que os comprovantes dos depósitos foram usados como instrumento de chantagem após Eros Biondini manifestar apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudas no INSS. Os líderes da Conafer discutiram a divulgação dos pagamentos à imprensa, alegando que isso poderia colocar os parlamentares em “situação delicada”.
O relatório também revela que o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), identificado como “Herói E” nas mensagens, atuou como intermediário da pressão sobre Eros Biondini. Ele teria encaminhado capturas de tela de conversas privadas com o colega aos chefes da organização.
Outro ponto levantado pela PF é a emenda parlamentar de R$ 5 milhões destinada ao Instituto Terra e Trabalho (ITT) por Eros Biondini. A entidade foi descrita como “umbilicalmente ligada” à Conafer, servindo como extensão operacional do esquema para financiar empresas de fachada.
Eros Biondini declarou à PF que desconhecia qualquer irregularidade ou vínculo entre o ITT e a Conafer na época da emenda. Ele afirma ter seguido a indicação de Euclydes Pettersen, sem saber sobre as atividades da entidade.
Filha de deputado nega irregularidades com entidade
Chiara Biondini declarou à PF que foi contratada pela Conafer em 2021 para atuar como assessora da presidência, por sugestão do pai. Ela relatou ter participado de entrevistas e cursos promovidos pela entidade, mas alega ter recebido poucas demandas, gerando insatisfação.
Eros Biondini e Chiara negam qualquer irregularidade. Em nota à imprensa, disseram que estiveram à disposição das autoridades desde o início da apuração e que, ao final, o relatório não identificou atos ilegais por parte dos parlamentares.
“Reforçamos nossos princípios de probidade e honestidade, que sempre guiaram nossa trajetória política, pessoal e profissional”, afirmam os Biondini.
Com informações da Revista Oeste


