Congresso inicia recesso com pautas prioritárias pendentes

Legislativo encerra recesso sem avanços em pautas centrais do governo

O Congresso Nacional entra no recesso parlamentar nesta sexta-feira (17), deixando pendentes matérias consideradas prioritárias pelo governo federal. Entre as propostas paralisadas estão a PEC que elimina a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o marco legal para inteligência artificial. A relação tensa entre o presidente Luiz Inácio Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem sido apontada como um dos obstáculos principais na tramitação das propostas.

De acordo com o calendário legislativo, a Câmara dos Deputados e o Senado terão apenas duas janelas de votações antes do início de novembro: entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro. A expectativa é que temas mais polêmicos sejam retomados após as eleições de outubro.

Matérias em destaque na agenda parlamentar

  • A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1;
  • A PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara em março;
  • O projeto de regulamentação da inteligência artificial;
  • O marco legal para minerais críticos, com incentivos fiscais previstos em R$ 5 bilhões;
  • A proposta que criminaliza a misoginia;
  • A análise da Medida Provisória (MP) que extingue a “taxa das blusinhas”, cuja validade está ameaçada se não for votada até 11 de setembro.

A MP das Blusinhas, que altera regras tributárias para compras internacionais, tornou-se mais um ponto de divergência entre Lula e Alcolumbre. O presidente do Senado tem adotado uma postura cautelosa em relação à proposta, alegando necessidade de consenso antes da tramitação.

Na Câmara, o projeto que criminaliza a misoginia enfrenta resistência de partidos como o PL e a bancada evangélica. A relatora, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), planeja retomar as discussões nas semanas anteriores ao pleito eleitoral.

Outras propostas em análise incluem o marco legal para mercados digitais e a regulamentação da inteligência artificial. O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirma que só apresentará seu parecer após a análise do Senado.

Tensões entre governo e Congresso

A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou após o presidente do Senado articular a reprovação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Desde então, governistas pressionam por um encontro entre os líderes para desbloquear matérias prioritárias.

Apesar das tentativas de reaproximação, o clima se agravou com a declaração do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), que ameaçou classificar Alcolumbre como “inimigo dos trabalhadores” caso não avançasse com a PEC da escala 6×1. O presidente do Senado considerou a fala uma tentativa de intimidação.

Com informações da Revista Oeste