Crise política entre Argentina e Inglaterra antes da semifinal da Copa

Tensões diplomáticas se intensificam antes da grande final

O confronto entre Argentina e Inglaterra, previsto para a próxima quarta-feira na semifinal da Copa do Mundo de 2026, ganhou um tom político inusitado após declarações oficiais que reacenderam o debate sobre as Ilhas Malvinas. O ministro argentino das Relações Exteriores, Pablo Cuerno, voltou a reivindicar a soberania do território, alegando que a ocupação britânica é “ilegítima”.

Crises no pré-jogo e histórico de rivalidade

Segundo o jornal “The Sun”, jogadores argentinos comemoraram a vitória contra a Suíça gritando frases como “Pelas Ilhas Malvinas, pelo Diego, pelo último gol do Leo (Messi)”, um gesto que intensificou o clima tenso antes da partida.

A rivalidade entre os países remonta à Guerra das Malvinas em 1982, quando a Argentina perdeu para o Reino Unido após um conflito que custou a vida de 649 argentinos e 255 soldados britânicos. O legado dessa guerra ainda ressoa na relação entre os dois países, especialmente durante eventos esportivos. Em 1986, Diego Maradona marcou seu famoso gol com a mão durante o jogo contra a Inglaterra, uma atitude que ele próprio chamou de “vingança simbólica”.

Apoiadores das ilhas e a luta pela soberania

No domingo, Cuerno publicou um artigo no jornal La Nación reforçando o posicionamento do governo argentino. Ele classificou os habitantes das Ilhas Malvinas como “plantados artificialmente” e criticou o referendo de 2013, em que 99,8% dos residentes optaram por manter a soberania britânica.

Dados do censo de 2016 mostram que 43% dos moradores das ilhas nasceram ali, muitos descendentes de imigrantes galeses e escoceses que se estabeleceram no local após a ocupação britânica em 1833. Apesar disso, Cuerno argumenta que a ocupação “não transformará ilegalidade em soberania”.

No texto, o ministro declarou: “As Ilhas Malvinas são história, terra, mar, memória e destino. São uma promessa entre gerações. Não desistiremos de nossa reivindicação.” Ele também exigiu a anulação de qualquer referendo sobre o território realizado ou planejado pelo Reino Unido.

Com a semifinal marcada para Atlanta, os olhares se voltam para um jogo que mistura esportes e diplomacia em uma disputa que, há quase 40 anos, ainda não teve um desfecho definitivo.