Data centers de IA sobrecarregam a rede elétrica após falha na linha

Crédito da imagem: TechCrunch

Instabilidade na rede elétrica de Washington DC revela impacto crescente nos centros de dados

Uma falha em uma linha de transmissão no entorno de Washington, DC, provocou uma interrupção inesperada na estabilidade da rede elétrica regional. Normalmente, os sistemas como esse se recuperam rapidamente, mas neste caso, a recuperação levou mais de 10 minutos — um tempo incomum, segundo especialistas.

O evento gerou picos de tensão no sistema PJM, que abrange desde o norte da Virgínia até Chicago. Dados obtidos pela Ting Labs, startup que utiliza sensores IoT em tomadas domésticas, mostraram a magnitude da instabilidade causada.

Ainda que não tenha resultado em apagões, o incidente fez com que luzes em diversas áreas do país piscassem. Especialistas alertam que esse tipo de situação será mais frequente à medida que a demanda por infraestrutura digital crescer.

Virgínia do Norte: o epicentro da revolução tecnológica

Localizado dentro da jurisdição do PJM, o norte da Virgínia abriga uma maior concentração de centros de dados do mundo. Segundo Ricardo de Azevedo, CTO da ON.Energy, “essa região é um sinal de alerta para o futuro da infraestrutura elétrica”.

De acordo com Azevedo, eventos como esse — em que grandes cargas elétricas se desligam simultaneamente — estão se tornando mais comuns. A PJM, operadora da maior rede elétrica dos EUA, atende a 67 milhões de clientes.

Como ocorreu o incidente?

Quando ocorria uma falha na linha de transmissão, os centros de dados ativavam automaticamente seus sistemas de backup. Em cerca de 30 segundos, 3,1 gigawatts de carga desapareceram da rede.

No entanto, pouco depois, mais cargas se desconectaram, resultando em um excesso de 3,49 gigawatts de eletricidade no sistema. A estabilização durou 11 minutos, segundos dados oficiais da PJM.

Esse desbalanceamento, apesar de aparentemente pequeno — cerca de 3% da demanda total no momento — pode causar grandes impactos. A rede elétrica opera em um equilíbrio delicado entre oferta e consumo.

A ocorrência dos centros de dados

Quando os centros de dados detectarem oscilação na tensão, desligarão automaticamente para proteger seus equipamentos. Esse comportamento coletivo amplificou o desequilíbrio, resultando em flutuações que causaram a piscada das luzes.

Ali Zain Banatwala, especialista em modelos de mercado do Operador Independente do Sistema Elétrico, explicou que “a ocorrência dos centros de dados foi quase instantânea”. A sincronização entre os desligamentos acelerou o impacto na rede.

Soluções para um futuro mais estável

Para evitar situações como essa, Banatwala defende a adoção de processos mais ordenados. “Precisamos encontrar maneiras de que os centros de dados se desconectem ou se reconectem sequencialmente”, afirmou.

A ON.Energy desenvolveu uma solução inovadora: um sistema de fornecimento de energia ininterrupto para campus inteiros de centros de dados. A tecnologia utiliza baterias e equipamentos de conversão de energia para suavizar picos de demanda.

“A rede elétrica agora vê o centro de dados como uma carga estável, sem as oscilações causadas por cada componente individual”, explica Azevedo. O sistema também permite que os centros de dados absorvam flutuações e ajustem sua operação rapidamente.

Projeções para o futuro

A Reuters destaca que a instabilidade observada em 2026 foi duas vezes maior do que um evento semelhante em 2024, quando 1,5 gigawatts de carga foram perdidos.

Segundo dados da Synapse Energy Economics, os centros de dados representavam 6% da carga do PJM em 2024. Em 2040, esse número deve subir para 24%.

Com a expansão do setor digital, as soluções como as propostas pela ON.Energy se tornarão essenciais para garantir a estabilidade da rede elétrica global.

Com informações do Techcrunch