Deputada do PL apresenta projeto contra supersalários no comitê tributário

Proposta busca conter remuneração de membros do Comitê Gestor do IBS

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou, na quarta-feira (15), um projeto de lei complementar que visa evitar o pagamento de remunerações acima do teto constitucional para integrantes do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A iniciativa, que altera a Lei Complementar nº 227/2026, estabelece que os membros do comitê não possam receber valores superiores a R$ 48 mil mensais, incluindo gratificações e benefícios adicionais.

O texto proposto pela parlamentar proíbe o pagamento de jetons, verbas de representação, auxílios e outros itens que possam levar a remunerações acima do limite constitucional. A justificativa da proposição destaca que o Conselho Superior do Comitê já discute uma política remuneratória que poderia acumular valores significativos, ultrapassando o teto estabelecido.

Detalhes da proposta

Segundo a proposta, a política remuneratória em discussão no comitê prevê:

  • Gratificações de até R$ 32 mil;
  • Adicional indenizatório de 30%;
  • Parcela transitória de até R$ 16 mil por mês;
  • Auxílios que somam cerca de R$ 6,8 mil mensais;
  • Jetons de até R$ 46 mil por mês para integrantes do Conselho Superior;
  • Auxílio-mudança de até R$ 48 mil por parcela;
  • Diárias de R$ 900 em viagens nacionais e R$ 2,7 mil em viagens internacionais.

Zanatta alerta que os servidores cedidos ao comitê poderiam acumular esses valores com a remuneração recebida nos órgãos de origem. “Não se trata de discutir a importância do órgão ou a qualificação de seus quadros, mas de impedir que a implantação da reforma tributária sirva de pretexto para a criação de uma zona franca remuneratória imune ao controle do Congresso e da sociedade”, afirma em sua justificativa.

Controle sobre despesas

A proposta também exige que o limite remuneratório considere os valores recebidos tanto no Comitê Gestor quanto no órgão de origem dos servidores. Além disso, determina a divulgação mensal e individualizada das remunerações e a devolução de pagamentos irregulares.

O comitê foi criado no contexto da Reforma Tributária. A parlamentar destaca que a proposta não deve se transformar em uma fonte de privilégios remuneratórios no primeiro ano de vigência do órgão. Antes de ser votada no plenário, a iniciativa será analisada pelas comissões temáticas da Câmara dos Deputados.

Com informações da Revista Oeste