Andrei Rodrigues nega ligação entre PCC e empresas sancionadas pelos EUA
No início de 2026, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a mídia exagera a influência das facções criminosas no Brasil. Durante uma entrevista em outubro do ano anterior, ele destacou que “pessoas que buscam visibilidade na imprensa tendem a amplificar a atuação das organizações, mesmo quando elas não estão diretamente envolvidas com atividades ilícitas”.
Em junho de 2026, Rodrigues voltou ao tema ao criticar a decisão dos Estados Unidos em classificar o CV (Crime do Estado) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. Para ele, essas facções atuam “basicamente por interesse financeiro”, diferenciando-as do terrorismo convencional.
Apesar de sua postura, a Polícia Federal não negou a existência de relações entre o PCC e empresas brasileiras sancionadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano. Entre as entidades afetadas estava a Pixwave Soluções de Pagamentos, uma fintech com sede em São Paulo que expandiu seu capital de R$ 100 mil para R$ 9 milhões em meses. Segundo o governo dos EUA, a empresa facilitou movimentações de aproximadamente US$ 30 milhões em criptoativos, conectando traficantes no Brasil a fornecedores no México e operações em cidades como Miami, Chicago e Los Angeles.
O diretor da PF rejeitou os laços entre as organizações criminosas e as empresas sancionadas, mesmo com provas de transações financeiras significativas. Especialistas apontam que a atuação do PCC se estende além do crime organizado, com influência em setores econômicos e políticos.
Analistas observam que a postura oficial parece contraditória. Enquanto o governo nega o alcance das facções, há relatos de preocupação interna com possíveis impactos de sanções norte-americanas sobre instituições financeiras brasileiras. Esse desalinhamento sugere uma escolha estratégica de ignorar a realidade do poder que grupos como o PCC exercem no país.
Segundo fontes próximas ao Executivo, a equipe de Andrei Rodrigues tem evitado reconhecer a dimensão transnacional da atuação do PCC. A justificativa apresentada é que a mídia tende a exagerar os riscos, o que dificulta iniciativas governamentais que tratariam as organizações como ameaças reais ao Estado e ao mercado financeiro.
Com informações da Revista Oeste


