EUA negam relação entre classificação de facções e intervenção militar no Brasil
O Departamento de Estado dos Estados Unidos rejeitou a preocupação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre o risco de intervenção militar no Brasil após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 7, o governo norte-americano chamou as preocupações brasileiras de “absurdas” e reforçou que a medida visa combater grupos criminosos atuantes no país.
Segundo a diplomacia dos EUA, a decisão de incluir PCC e CV na lista oficial de organizações terroristas foi tomada com o objetivo de intensificar a cooperação internacional contra o crime organizado transnacional. “As ações do governo norte-americano são limitadas às competências soberanas da União”, afirmou o Departamento, destacando que não há intenção de envolver forças militares no território brasileiro.
O comunicado respondeu a um documento apresentado pelo Itamaraty à Câmara dos Deputados, no qual Vieira alertava sobre possíveis consequências da classificação unilateral. O ministro argumentou que a legislação antiterrorismo norte-americana poderia ser usada para justificar intervenções em áreas sensíveis do Brasil, como finanças, migração e segurança penal.
No entanto, o governo dos EUA negou qualquer vínculo entre a nova categorização e ações militares. “Alegações vagas sobre uso da força podem servir para incentivar grupos violentos”, destacou o comunicado, reforçando que as sanções recentes contra brasileiros e empresas são focadas no combate à lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional.
Classificação como parte de estratégia antiterrorismo
A decisão de incluir PCC e CV na lista foi oficializada em 5 de junho, durante o governo do presidente Donald Trump. A medida faz parte da ampliação da estratégia contra o crime organizado transnacional, com foco em redes que operam em múltiplos países.
Além disso, Washington impôs sanções a cinco pessoas e quatro empresas ligadas a uma rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC. Segundo o governo norte-americano, esses grupos movimentaram mais de 30 milhões de dólares provenientes do tráfico de drogas e atividades ilegais.
O anúncio da classificação foi feito no final de maio, com a justificativa de fortalecer o combate ao crime organizado em âmbito global. A diplomacia brasileira mantém uma posição crítica sobre a medida, apontando riscos para a soberania nacional.
Com informações da Revista Oeste


