Fachin nega pedido da Assembleia do Paraná sobre cassação de deputado PT

STF mantém suspensão de votação sobre cassação de deputado Renato Freitas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, negou o recurso apresentado pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e manteve a suspensão da votação sobre a cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT-PR). A decisão preserva uma liminar que impede a deliberação, mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) suspender o processo disciplinar. O plenário da Alep havia agendado a análise do pedido de cassação para 16 de junho.

A Alep informou que respeitará a decisão judicial, mas busca que o caso seja analisado pelo plenário do STF. A Casa considera que a discussão deve envolver todos os ministros da Corte, especialmente após a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestar apoio ao recurso da Assembleia.

“A Assembleia respeita a decisão, mas entende que a questão deve ser analisada pelo Plenário da Corte, especialmente porque a PGR se manifestou favoravelmente ao recurso apresentado pela Casa. Por esse motivo, recorrerá para que o caso seja apreciado pelo conjunto dos ministros do STF”, afirmou a Alep.

Deputado cassado pela Alep participou de briga em Curitiba

No mês passado, o Conselho de Ética da Assembleia aprovou um parecer favorável à cassação de Renato Freitas por quebra de decoro parlamentar. A representação se baseia em uma briga ocorrida em novembro de 2025 no Centro de Curitiba, envolvendo o deputado e o manobrista Wesley de Souza Silva. As agressões foram registradas em vídeos.

Na defesa apresentada ao Conselho de Ética, Freitas sustentou que agiu para impedir uma agressão e proteger a mãe de sua filha. O parlamentar também afirma ser alvo de “perseguição política sistemática” e classifica o processo como um “jogo de cartas marcadas”.

O parecer pela perda do mandato foi elaborado pelo deputado Márcio Pacheco (Republicanos-PR). A participação do parlamentar foi contestada em voto separado apresentado pelo deputado Doutor Antenor (PT-PR), que alegou possível suspeição de Pacheco e argumentou que Freitas não estava no exercício do mandato no momento da confusão. O petista defendeu sanções mais brandas, mas foi vencido.

A denúncia disciplinar foi apresentada por quatro vereadores de Curitiba e três deputados estaduais. Durante a instrução do processo, o Conselho de Ética ouviu o manobrista envolvido e outras testemunhas. A defesa do deputado foi protocolada cerca de duas semanas após as oitivas.

Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep também confirmou outra punição disciplinar aplicada a Renato Freitas. O colegiado manteve a suspensão, por 30 dias, das prerrogativas regimentais do parlamentar em dois processos por quebra de decoro.

Um dos casos envolve a participação de Freitas em um protesto dentro de um supermercado de Curitiba, onde é acusado de prejudicar o funcionamento do estabelecimento. O outro trata de um desentendimento entre o deputado, Márcio Pacheco e um assessor parlamentar durante reunião da CCJ. Esse processo ainda será submetido ao plenário da Assembleia.

Renato Freitas cumpre seu primeiro mandato como deputado estadual e é um dos principais nomes do PT no Paraná. Advogado e militante em movimentos sociais, ganhou projeção política como vereador de Curitiba, cargo para o qual foi eleito em 2020. Em 2022, conquistou uma cadeira na Alep.

Ao longo da trajetória parlamentar, tornou-se figura frequente em embates políticos e processos disciplinares relacionados à atuação em manifestações e protestos.

Com informações da Revista Oeste