Federação senegalesa revela escândalo: médico da seleção não tinha qualificação

Crise no Futebol Senegalês: Escândalo Médico e Falhas Administrativas

A eliminação precoce da seleção senegalesa na Copa do Mundo de 2026 expôs uma série de falhas que, segundo o presidente da Federação Senegalesa de Futebol, Abdallah Fall, podem ter comprometido a performance da equipe em níveis nunca antes vistos. Em coletiva de imprensa realizada na semana passada, ele detalhou investigações que revelaram problemas graves no setor médico e administrativo.

Falta de qualificação do médico titular

Segundo Fall, o Dr. Abdulrahman Fedor, responsável pela supervisão clínica da seleção durante dez anos, não possuía formação adequada para atuar com atletas profissionais. A descoberta surgiu após uma auditoria rigorosa dos arquivos da federação, que confirmou que o profissional era especializado em ginecologia e obstetrícia — áreas distantes do futebol.

“Os jogadores reclamavam constantemente da ineficácia dos tratamentos oferecidos. Havia dúvidas sobre a capacidade dele lidar com lesões complexas, mas isso só foi investigado após a eliminação na Copa do Mundo”, afirmou Fall.

Crise de confiança e alimentação inadequada

A desconfiança entre atletas e profissionais da saúde se estendeu a outras áreas. Durante o preparativo nos Estados Unidos, os jogadores tiveram que recorrer a aplicativos de delivery para obter refeições diárias. A federação não cobriu os custos do cozinheiro titular, adotando uma política de austeridade.

“Essa situação foi humilhante”, destacou o dirigente. “A equipe precisava de um cardápio equilibrado e especializado para manter a performance física em níveis elevados.”

Eliminação precoce e consequências políticas

O Senegal foi eliminado nas oitavas de final após perder por 3 a 2 para a Bélgica. O resultado, somado aos escândalos revelados, pressionou a diretoria a demitir o técnico Babi Thiaw, que assumiu a culpa pelo desempenho insatisfatório.

O episódio gerou indignação popular no país, com críticas à gestão da federação e ao suporte oferecido aos atletas. As investigações continuam, mas a imagem do futebol senegalês sofreu um revés difícil de recuperar.

“Esses erros administrativos e médicos não podem ser ignorados. Precisamos de mudanças imediatas para evitar repetições”, enfatizou Fall.