Fernando Haddad e a influência de Lula na eleição paulista

Fernando Haddad
Crédito da imagem: Palácio do Planalto / CC BY 2.0

Haddad enfrenta rebaixamento eleitoral em SP; Tarcísio lidera com 52%

As últimas pesquisas eleitorais apontam uma vantagem expressiva de Tarcísio Gomes de Freitas (PSL) no primeiro turno da disputa pelo governo do Estado de São Paulo, com intenções de voto que ultrapassam 52% dos eleitores válidos. O cenário coloca o ex-prefeito da capital como favorito para a vitória, colocando Fernando Haddad (PT) em uma situação delicada, com chances mínimas de se recuperar no segundo turno.

Essa trajetória eleitoral repetiria um padrão histórico para o petista: a derrota na Prefeitura de São Paulo em 2016 e a rejeição na campanha presidencial de 2018. A perda do palanque paulista, considerado estratégico para qualquer candidatura à Presidência, poderia dificultar ainda mais as chances do ex-presidente Lula (PT) de retornar ao poder.

Histórico de reveses eleitorais

A derrota em 2016 marcou um momento crítico na trajetória política de Haddad. Naquele ano, o petista obteve apenas 16% dos votos válidos no primeiro turno, cedendo a João Doria (PSDB) com uma margem que reforçou sua imagem de candidato fraco em momentos decisivos.

A campanha presidencial de 2018, porém, ampliou o desgaste. A estratégia “Haddad é Lula e Lula é Haddad” foi vista por críticos como uma tentativa de transformar o ex-ministro em um veículo político para o ex-presidente condenado. O conceito de “transcandidato”, criado por analistas, ganhou força ao descrever a figura de Haddad como alguém que perdeu sua identidade política para se alinhar ao projeto de Lula.

O fenômeno do “transcandidato”

No artigo publicado anteriormente, o conceito foi comparado a casos internacionais de submissão política. Em uma análise mais detalhada, o autor destacou que Haddad não apenas adotou o discurso de Lula, mas também a imagem pública do ex-presidente. A expressão “Haddad é Lula” foi usada com tanta frequência que se tornou um lema eleitoral, apesar das críticas por parte da opinião pública.

Em uma comparação com outros políticos, como Dmitri Medvedev, o autor argumenta que Haddad vai além do papel de subordinado. A identidade pessoal do petista parece ter sido substituída, gerando dúvidas sobre a existência real do candidato. Essa discussão, embora metafórica, reflete uma percepção ampla de que Haddad atua como um veículo político mais do que como uma figura autônoma.

Com Lula de volta ao poder após a reformulação judicial e o esquecimento eleitoral de parte da população sobre sua condenação, a questão permanece: quem é realmente Fernando Haddad? Se ele existe como pessoa ou se é apenas um personagem construído para servir aos interesses do ex-presidente. A comparação com o cavaleiro inexistente de Italo Calvino sugere que Haddad pode ser uma figura vazia, sem identidade própria.

Com informações da Revista Oeste