Flávio acusa governo Lula de tarifa chinesa sobre carne

Tarifas chinesas e exportações de carne: senador Flávio Bolsonaro aponta risco para o governo Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou o governo federal de criar condições que poderiam impactar negativamente as exportações de carne bovina brasileira. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele alertou sobre a possibilidade da China aplicar uma sobretaxa de 55% sobre embarques que ultrapassem a cota anual estabelecida para importação do produto. Combinada à tarifa de 12% já vigente dentro da cota, a taxação total poderia chegar a 67%.

“Será que o presidente Lula também vai dizer que sou eu quem é responsável pelas tarifas chinesas?” questionou o parlamentar em seu discurso. Ele destacou que fará “todo o possível para combater tarifas de outros países” e reforçou sua crítica ao governo, apontando que as medidas podem colocar o agronegócio brasileiro em situação delicada.

A declaração ocorreu após Flávio participar, no início da semana, de audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos EUA em Washington. Durante o encontro, discutiu-se a proposta do presidente Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O senador defendeu que as medidas sejam adiadas até após as eleições.

Impacto da cota chinesa na previsibilidade do mercado

A StoneX, empresa especializada em análise de mercados agrícolas, destacou em relatório recente que o sistema de cotas imposto pela China está alterando a dinâmica das compras internacionais. Apesar de proteger a produção local, o mecanismo não elimina a demanda, mas muda o momento em que os importadores adquirem carne bovina brasileira.

Segundo a análise da StoneX, a China aplica uma tarifa de 12% para importações dentro do limite estabelecido. Acima desse volume, incide uma sobretaxa de 55%. Esse sistema, embora não reduza o interesse chinês pelo produto, está tornando o comportamento das compras mais imprevisível.

Consumo interno e reposição do rebanho: novos fatores para os preços

A StoneX prevê que, nos próximos 18 meses, o consumo doméstico brasileiro pode assumir um papel mais relevante no equilíbrio dos preços da carne bovina. Com a demanda externa se tornando menos previsível, o mercado interno passará a influenciar com maior intensidade os valores do produto.

O relatório também aponta que o abate de fêmeas está desacelerando, sinalizando um possível início da reposição do rebanho. Esse movimento pode contribuir para a moderação no crescimento da oferta, impactando diretamente os preços no mercado interno.

“Por anos, as exportações crescentes garantiram um canal confiável para a expansão da produção, especialmente com a China como principal compradora. Essa relação continua importante, mas a previsibilidade do momento da demanda está se tornando menor”, destaca o relatório da StoneX.

Com informações da Revista Oeste