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Andrés Escobar e o gol que mudou a história do futebol
Exatamente trinta e dois anos após o crime que chocou o mundo, o legado de Andrés Escobar ainda ressoa no esporte. No dia 2 de julho de 1994, o zagueiro da Colômbia foi assassinado em Medellín, apenas dez dias após marcar um gol contra na derrota por 2 a 1 para os Estados Unidos. O lance, que contribuiu para a eliminação da equipe no Mundial, transformou o defensor em símbolo de uma das tragédias mais impactantes da história do futebol.
Aos 27 anos, Escobar era campeão da Libertadores pelo Atlético Nacional e esperava a chance de se transferir para o futebol europeu. O gol contra, porém, tornou-o alvo de ameaças. Meses antes do assassinato, o narcotraficante Pablo Escobar (não relacionado à família do defensor) havia sido morto após anos de perseguição. Ele era responsável pelo financiamento do futebol colombiano durante os anos 80 e 90, incluindo a contratação de atletas para o Atlético Nacional.
A morte de Escobar marcou a ruptura entre o futebol colombiano e o narcotráfico. Durante a Copa, o clima era tenso: o irmão do defensor havia sido assassinado em um acidente suspeito, e a equipe recebeu ameaças na TV durante a estadia no hotel. O técnico Francisco Maturana teve de restringir a escalação de jogadores sob pressão externa.
O lance que definiu o destino do jogo foi um erro de Escobar ao tentar cortar um cruzamento. O zagueiro, que nunca viu o replay do lance, retornou a Medellín e, após uma discussão no El Indio Bar, foi alvejado por seis tiros nas costas.
Três décadas depois, o legado de Andrés Escobar transcende o gol contra. Seu assassinato permanece como um dos episódios mais sombrios da história do futebol, representando a luta entre violência e esporte em uma era marcada pela influência do narcotráfico.



