Governo mantém negociações com EUA sobre tarifas e opção de reciprocidade

Governo brasileiro mantém negociações com EUA para reverter tarifas e ampliar isenções

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil continuará as conversações com os Estados Unidos visando reduzir a sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais e ampliar a lista de mercadorias isentas da nova alíquota de 12,5% imposta por Washington. A declaração foi feita nesta quinta-feira (23), durante uma reunião com representantes do setor produtivo.

Segundo o ministro, o governo não descartará a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade em caso de persistência das restrições comerciais norte-americanas. “O Brasil preservará todas as opções disponíveis para defender seus interesses econômicos”, destacou Elias Rosa, ressaltando que a prioridade é a negociação, mas mantendo o direito de reagir se necessário.

A nova alíquota de 12,5%, aplicada sob a justificativa de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado, afeta setores como calçados, máquinas, confecções e produtos químicos. Já os produtos isentos incluem carne bovina, café e 2 mil itens exportados pelo país.

“O governo do presidente Lula não vai renunciar à possibilidade de usar instrumentos jurídicos para proteger a economia brasileira”, afirmou o ministro. Ele destacou que o Brasil tem histórico de cooperação internacional contra práticas ilegais, como o trabalho forçado, e reforçou a intenção de contestar as tarifas em órgãos multilaterais.

Para mitigar os impactos das medidas comerciais, o governo anunciou que o plano “Brasil Soberano 3” já está pronto para apoiar setores afetados. A regulamentação da medida provisória sancionada recentemente permitirá incluir novas categorias de produtos no programa.

Segundo o ministro, setores como madeira e celulose estão entre os mais prejudicados pela política norte-americana. “Se for necessário, o Brasil não hesitará em adotar medidas de reciprocidade”, ressaltou.

O comitê criado no âmbito do “Brasil Soberano 3” definirá na próxima semana as regras para garantias de emprego destinadas aos setores impactados. O plano visa apoiar a indústria e o comércio frente às novas barreiras comerciais.

O ministro reforçou que o Brasil está comprometido com a luta contra práticas ilegais no comércio global, mas também alerta para os impactos desse tipo de política protecionista. “As tarifas são injustas e danosas para nossa economia”, afirmou.

Tarifas comerciais entram em vigor e governo prepara estratégias para negociações

As novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos passam a valer a partir do dia 29 de fevereiro, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A medida afeta produtos que já foram desembaraçados no país norte-americano, gerando impactos imediatos para empresas brasileiras exportadoras.

O ministro responsável pelo setor destacou que as ações prioritárias do governo envolvem três eixos principais: oferecer suporte às empresas afetadas, fomentar a diversificação de mercados alternativos e elaborar uma manifestação formal para ser apresentada à Organização Mundial do Comércio. “É fundamental que as discussões ocorram em um momento estratégico, com bases técnicas sólidas”, afirmou.

Além disso, o governo está desenvolvendo medidas jurídicas para proteger os interesses nacionais. O ministro ressaltou a importância de preparar uma posição consolidada antes das negociações oficiais, que devem ocorrer em fevereiro após a conclusão dos estudos sobre os impactos econômicos das novas regras.

“O objetivo é garantir que as empresas brasileiras tenham condições de se adaptar rapidamente e que o país mantenha sua presença ativa nos mercados globais”, complementou, enfatizando a necessidade de alinhar ações do setor público e privado.

Com informações da Revista Oeste