Irmãos em palanques opostos: Cid apoia Lula, Ciro se alia ao PL

Conflito político no Ceará: irmãos Gomes assumem posições opostas nas eleições

No cenário eleitoral do Ceará, uma disputa acirrada se desenhou entre dois nomes da política brasileira: Cid Gomes (PSB) e Ciro Gomes (PSDB). Os irmãos, que já compartilharam palanques no passado, agora ocupam lados opostos na corrida pelas urnas. Enquanto Cid busca a reeleição ao Senado como candidato da chapa governista, apoiada formalmente pelo PT, Ciro se prepara para concorrer à presidência do Estado com o suporte do Partido Liberal (PL).

Em reunião realizada nesta terça-feira, 14, no Palácio da Alvorada, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou a aliança entre Cid e o PT. O encontro também definiu que Júnior Mano (PSB-CE), deputado federal, será o primeiro suplente do senador na disputa.

A reunião contou com a presença do governador Elmano de Freitas (PT), que pretende concorrer à reeleição com apoio do seu partido, além do senador Camilo Santana (CE-PT), do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT). Em postagem nas redes sociais, Elmano destacou o papel central de Lula na definição da candidatura de Cid.

“Com o presidente Lula, em Brasília, reforçamos a força dessa união pelo Ceará e pelo Brasil”, afirmou Elmano. “Esse é o projeto que tem feito nosso Ceará avançar e que ainda trará muitas oportunidades para todos os cearenses. Unidos com Lula e Elmano por um Ceará e um Brasil cada vez mais fortes.”

Críticas internas no PL após aliança com Ciro Gomes

A parceria entre o PL e Ciro Gomes gerou divisões dentro da legenda. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que deixou a presidência do PL Mulher, criticou publicamente a decisão de abrir espaço para o ex-governador cearense. Em vídeos nas redes sociais, ela destacou que a deputada federal Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher, foi excluída da disputa ao Senado para facilitar o acordo.

Segundo Michelle, o plano inicial de Jair Bolsonaro, dela e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, era lançar duas candidaturas ao Senado no Ceará: a de Priscila Costa e a do pai do deputado estadual André Fernandes (PL). A ex-primeira-dama alega que, durante o período em que Bolsonaro esteve preso, integrantes do partido começaram a articular a saída de Priscila para fortalecer a aproximação com Ciro.

Ela também mencionou um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria tratado-a de forma ríspida durante uma ligação telefônica ao defender a aliança com Ciro. Michelle ressaltou as críticas históricas de Ciro a Jair Bolsonaro, considerando incoerente a parceria firmada pelo PL no Estado.

Com informações da Revista Oeste