Limites do controle humano e raízes do liberalismo

O Liberalismo Clássico e a Questão da Autonomia Perante o Incerto

O liberalismo clássico, que se origina no Iluminismo, parte de uma premissa fundamental: o ser humano não tem controle absoluto sobre as próprias escolhas ou os eventos externos. Esse conceito, embora aparentemente contraditório com a ideia de liberdade individual, é central para compreender a filosofia que inspirou figuras como Adam Smith e a Escola de Salamanca. A economia e a moral, segundo esses pensadores, devem ser guiadas por princípios que reconheçam a imprevisibilidade da vida e o limite das capacidades humanas.

A escola liberal clássica, muitas vezes associada ao conservadorismo, tem raízes na filosofia moral. Adam Smith, além de autor do Riqueza das Nações, escreveu sobre ética e responsabilidade social em Teoria dos Sentimentos Morais. Para ele, a liberdade econômica é um reflexo da dignidade individual, mas também uma expressão da capacidade racional de cada pessoa. Essa dualidade entre autonomia e limites humanos é um pilar do pensamento liberal.

No entanto, o liberalismo moderno — especialmente as correntes progressistas — muitas vezes desvia-se dessas raízes. Enquanto defende a liberdade de mercado e a individualidade, também se propõe a controlar a moral e a existência social, algo que os críticos consideram uma forma de totalitarismo disfarçado. Esses grupos, muitas vezes chamados de libertários ou anarcocapitalistas, acreditam que suas escolhas definem a realidade, ignorando o acaso e as forças externas.

Essa postura, embora compreensível em certos contextos, pode levar à arrogância. Quando os indivíduos se sentem donos de seus destinos, tornam-se vulneráveis às imprevistões da vida: doenças, acidentes ou até mesmo a morte. A exemplo de Ayn Rand, que lutou contra o câncer e ainda assim enfrentou complicações respiratórias, ninguém está isento das adversidades do mundo.

A autonomia é um valor legítimo, mas não deve se transformar em cegueira para a realidade. A filosofia liberal clássica ensina que o homem precisa aceitar seus limites e agir com humildade diante do inesperado. Assim como ninguém pode prever um terremoto ou uma crise de saúde, tampouco se pode controlar todas as consequências de suas ações. A sabedoria está em lidar com o acaso com virtude e resiliência.

Seja na política, economia ou na vida cotidiana, ideias que ignoram a insuficiência humana tendem a fracassar. O homem, mesmo com avanços tecnológicos como a inteligência artificial, ainda precisa enfrentar imprevistos: uma gravidez indesejada, um diagnóstico de doença ou um acidente. A maturidade, nesse sentido, está em reconhecer que o controle absoluto é ilusório e agir com prudência.

Assim, o liberalismo clássico não se limita a teorias econômicas. É uma filosofia que ensina a aceitar o fracasso como parte da jornada, a lidar com a doença como um desafio a ser superado e a encarar a morte como inevitável, mas digna de respeito. Aqueles que se recusam a reconhecer seus limites, por outro lado, correm o risco de cair no vazio do inesperado, sem ferramentas para enfrentar as consequências.

Com informações da Revista Oeste