Lobby do robotáxi do Uber gera conflito com Waymo

Lobby do robotáxi do Uber gera conflito com Waymo

Crédito da imagem: TechCrunch

Uber e Waymo em Conflito: Batalha por Regras de Veículos Autônomos no Distrito de Columbia

Um projeto de lei que permite a operação de veículos autônomos no Distrito de Columbia tornou-se um teste crucial para a estratégia de robotáxi da Uber. Em vez de apenas investir em desenvolvedores de tecnologia autônomos, a empresa busca moldar as regras regulatórias, colocando-se diretamente em oposição ao seu parceiro comercial, a Waymo.

A Uber, que se opõe ao projeto, argumenta que a proposta de deslocamento de motoristas humanos e concederia à Waymo um monopólio de fato. Segundo registros públicos e entrevistas com fontes do setor, a empresa defende um sistema em que os robotáxis precisariam operar em uma rede de chamadas que também inclui motoristas humanos.

“Já vimos em outras jurisdições como uma abordagem regulatória deficiente pode prejudicar uma cidade”, afirmou Javi Correoso, líder da política e assuntos federais da Uber, durante uma reunião do Conselho de DC no mês de maio. Ele destacou que os veículos autônomos geram congestionamento ao ficar parados ou circulando vazios, não oferecem assistência física a idosos e pessoas com deficiência, e citou dados que indicam que um veículo autônomo substitui aproximadamente quatro motoristas.

Quando questionado sobre o modelo híbrido, Correoso explicou a visão regulatória da Uber: “O modelo híbrido significa que os consumidores devem ter acesso a ambas as opções. Se um cliente estiver no aplicativo, ele deve poder escolher”. Ele sugeriu ainda que essa flexibilidade deveria fazer parte do quadro normativo do setor.

A Waymo, por sua vez, afirma que o projeto, que apoia, permitiria a implementação segura de veículos independentes enquanto promove o transporte público, acesso equitativo e proteção dos trabalhadores, sem restringir empresas como a Uber.

As duas corporações apresentarão suas posições durante uma audiência pública no próximo dia 21. Apesar do debate intenso, o estágio da proposta ainda não é claro. Muitas partes interessadas esperam que a legislação seja aprovada antes do fim do ano e da saída de Muriel Bowser, prefeita de DC, em janeiro.

Detalhes da Proposta de Lei

O projeto, apresentado pelo vereador Charles Allen em maio, atualizaria a Lei de Veículos Autônomos de 2012, permitindo testes e operações comerciais sem motoristas humanos no distrito. Atualmente, empresas como Waymo e Zoox podem testar veículos autônomos, mas sempre com uma operadora de segurança presente.

A proposta irá à Secretaria Municipal de Transportes (DDOT) autoridade para emitir licenças de testes e implantação a desenvolvedores que atendam a critérios, como ter segurança de responsabilidade civil mínima de US$ 5 milhões. Além disso, os veículos deverão relatar dados de acidentes em até 8 ou 72 horas, dependendo se pertencem a uma frota comercial ou privada.

Outro ponto da proposta é um imposto de US$ 0,15 por milha para operadores de robotáxis. Os recursos arrecadados serão divididos: metade destinada ao transporte público e o restante utilizado para educação e desenvolvimento de trabalhadores do setor de carros compartilhados.

Participantes e Implicações

Uber e Waymo não são os únicos envolvidos. Organizações como Tesla, Lyft, sindicatos da indústria, grupos de direitos das pessoas com deficiência, associações locais e think tanks estão programados para participar da audiência. Uma campanha anti-robotaxi, liderada por uma entidade nova-iorquina chamada Coalition for Accountability and Road Safety, também atua com mobilização de contribuições e postagens nas redes sociais.

A Uber é a maior rede de carros compartilhados e entregas dos Estados Unidos, enquanto a Waymo opera mais de 500 mil viagens semanais em 11 cidades. Se o modelo híbrido da Uber para adoção, empresas como a Waymo terão que escolher entre integrar seus veículos independentes a aplicativos de chamada ou contratar motoristas humanos.

A aprovação do projeto representaria um desafio significativo para a Uber. Se o modelo híbrido for implantado, a empresa poderá manter sua posição dominante no mercado.

Investimentos e Estratégias da Uber

Lucid robotaxi com marca Lucid/Nuro/Uber
Uber-lúcidoCrédito da imagem: Uber/Lúcido/Nuro

A batalha regulatória em DC reflete uma estratégia maior da Uber para preservar seu domínio no setor de carros compartilhados e entregas. A empresa investe em mais de 30 empresas de veículos independentes globalmente e desenvolveu a AV Labs, um novo departamento que coleta dados de condução para facilitar o desenvolvimento dos robotaxis.

A Uber também defende políticas que desativem a operação conjunta de veículos autônomos e humanos em uma mesma plataforma. Essa abordagem foi detalhada em um documento técnico publicado no mês de maio, reforçando sua postura perante legisladores.

Em junho, a Uber inveja uma carta ao Conselho de DC, reafirmando seu compromisso com o modelo híbrido. Segundo o comunicado, esse sistema integraria gradualmente veículos autônomos à rede tradicional de motoristas humanos.

“Na prática, isso significa que se você chamar um Uber em uma região com veículos autônomos, pode ser atendido por um AV ou por um motorista humano, dependendo do tipo de viagem”, afirma a carta.

A empresa está respondendo a uma proposta que, segundo seu porta-voz Noah Edwardsen, proibiria modelos híbridos. A disputa entre Uber e Waymo reflete um debate mais amplo sobre o futuro do transporte urbano e as implicações para trabalhadores e consumidores.

Uber e Waymo: uma batalha por regulamentações no futuro do transporte autônomo

Em meio aos debates sobre a legislação de veículos autônomos em Washington, DC, a Uber defende uma abordagem híbrida que permitiria a coexistência de carros autônomos e motoristas humanos no mesmo sistema. A empresa, porém, enfrentou resistência de empresas como a Waymo, que se opõem a limitações que restringem os tipos de redes utilizadas por veículos autônomos.

Em comunicado à TechCrunchO porta-voz da Waymo, Ethan Teicher, destacou que a empresa não apoia propostas que limitem os AVs (veículos exclusivos) a redes específicas. “Acreditamos em um ambiente regulatório aberto, onde diferentes tipos de tecnologias podem operar no Distrito”, afirmou.

Por outro lado, Greg Rogers, fundador da The Innovation Majority, criticou a proposta da Uber como uma tentativa de “captura regulatória”. Segundo ele, a coexistência imposta de modelos diferentes pode prejudicar a concorrência e a segurança no trânsito. “O consumidor já tem opções — por que limita ainda mais?” questionou.

A postura da Uber contrastou com seu histórico passado, marcado pela resistência às regulamentações como a AB 5 da Califórnia, que buscava classificar motoristas como empregados. Em 2020, a empresa apoiou a Proposta 22, uma iniciativa que preservou o estatuto de contratação por terceiros dos trabalhadores.

Recentemente, a Uber mudou sua estratégia. Andrew MacDonald, CFO da companhia, admitiu em um post no LinkedIn que as práticas anteriores, focadas apenas em crescimento, geraram conflitos regulatórios e uma crise de confiança. “Agora, priorizamos parcerias com cidades ao invés de confrontá-las”, afirmou.

A empresa defende que sua proposta híbrida é um equilíbrio entre a inovação tecnológica e as preocupações laborais. Segundo Harry Hartfield, líder da política de AVs da Uber, “o futuro do transporte deve ser baseado em realidades existentes, não em cenários utópicos de veículos exclusivos exclusivos”.

Um complexo histórico entre rivais

A relação entre Uber e Waymo tem momentos de cooperação e rivalidade. Em 2017, a Waymo processou a Uber por acusações de roubo de segredos comerciais, envolvendo o ex-engenheiro Anthony Levandowski. O caso foi resolvido com um acordo em 2018.

Após a venda da divisão de veículos independentes da Uber para a Aurora em 2020, as empresas formaram uma parceria limitada, com a Waymo oferecendo serviços no app da Uber em Phoenix. No entanto, essa colaboração foi interrompida em maio de 2026.

Recentemente, o clima entre as duas empresas piorou. Em março de 2025, durante o SXSW, executivos das empresas celebraram a expansão dos serviços de Waymo no app da Uber. Hoje, porém, surgem divergências públicas — como críticas do CTO da Uber, Praveen Neppalli, sobre o comportamento de veículos autônomos da Waymo.

Um confronto global

A disputa entre Uber e Waymo se estende além dos Estados Unidos. Ambas as empresas qualificadas estão para um confronto em Londres, onde a regulamentação de veículos independentes ainda está em desenvolvimento.

Enquanto a Uber pressiona por mudanças nas leis que permitam sua abordagem híbrida, a Waymo defende uma legislação mais restritiva. O estágio dessa batalha pode definir o futuro do transporte independente em cidades ao redor do mundo.

Waymo e Uber em confronto
Crédito da imagem: Waymo/Uber

A luta por regulamentações claras e equilibradas será crucial para o desembarque do transporte independente no mercado. Enquanto a Uber aposta em uma estratégia de concorrência aberta, a Waymo insiste na necessidade de limites tecnológicos e operacionais.

Com informações do Techcrunch