Lula chama proposta de Trump sobre Estreito de Ormuz de pirataria

Presidente Lula critica Trump por proposta de taxa no Estreito de Ormuz e vincula conflito ao aumento de preços no Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou nesta segunda-feira (13) sua posição crítica em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante discurso público. Ele vinculou a proposta atribuída a Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz ao aumento dos preços de combustíveis e alimentos no Brasil.

“Hoje, um tweet do presidente Trump afirma que ele vai desobstruir o Estreito de Ormuz”, destacou Lula. “Cada navio que passar pela região teria que pagar 20% para ele. Isso seria considerado pirataria. Um país como os Estados Unidos, historicamente contra a pirataria, não pode assumir esse papel.”

Lula argumentou que os Estados Unidos não têm legitimidade para impor qualquer tipo de cobrança relacionada à passagem pelo estreito. “O Estreito de Ormuz não é de responsabilidade dos norte-americanos”, afirmou.

A região, localizada entre o Irã e a Península Arábica, é uma das rotas principais para o transporte internacional de petróleo. Sua importância estratégica tem gerado tensões frequentes no cenário geopolítico global.

Escalada militar e acusações sobre Irã

O presidente brasileiro também criticou a postura dos Estados Unidos em relação ao conflito envolvendo o Irã. Ele questionou a justificativa usada por Washington para a escalada militar no país.

“Não foi o Brasil que iniciou a guerra com o Irã”, ressaltou Lula. “Nós não fizemos disparos, nem causamos mortes. Não podemos aceitar que uma guerra convocada pelos Estados Unidos seja justificada com base em acusações infundadas sobre o programa nuclear iraniano.”

Ele relembrou negociações feitas em 2010 com a Turquia, quando o Brasil e Teerã assumiram compromissos sobre o uso do urânio enriquecido apenas para fins científicos. “Estive no Irã com Celso Amorim e o presidente da Turquia, assinando um documento que confirma essa posição”, afirmou.

Lula destacou que acusações semelhantes foram feitas contra Saddam Hussein, cujo regime foi derrubado em 2003. “O Irã não possui capacidade de produzir armas nucleares e nunca teve intenção de fazê-lo”, declarou.

Em relação à economia brasileira, o presidente vinculou diretamente o conflito internacional ao aumento dos preços de combustíveis. “A pressão por causa da guerra está sendo sentida aqui no Brasil, especialmente nos alimentos e combustíveis”, explicou.

“O diesel e a gasolina ficaram mais caros. Isso impacta o custo do feijão, do arroz, do tomate e da cebola”, completou.

As declarações ocorrem em meio a uma nova fase de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, reforçando a posição do governo federal de que as políticas externas norte-americanas têm reflexos diretos na economia brasileira.

Com informações da Revista Oeste