Lula recebeu figuras internacionais durante prisão; Moraes vetou encontro entre Milei e Bolsonaro
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi visitado por ao menos 16 personalidades estrangeiras durante os 580 dias de prisão em Curitiba, entre 2018 e 2019, segundo dados do portal Poder360. A lista inclui ex-líderes políticos como o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica (1935-2025), intelectuais renomados e ativistas de movimentos sociais. Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impediu a visita do presidente argentino Javier Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
O encontro entre Bolsonaro e Milei, previsto para 25 de julho — data da passagem do argentino pelo Brasil — foi vetado por Moraes com base em uma determinação recente que proíbe visitas de caráter político-eleitoral a presos domiciliários até o final das eleições. A decisão ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, publicar uma “Carta aos Brasileiros” escrita à mão pelo pai, interpretada como uma tentativa de contornar as regras da prisão domiciliar.
Moraes justificou a proibição como uma medida para evitar influências eleitorais antecipadas. No entanto, ministros do STF ouvidos por fontes jurídicas consideraram a decisão “exagerada” e “precipitada”, com risco de servir como “munição para a oposição” em um ano eleitoral. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu que Flávio Bolsonaro, como advogado formalmente constituído, mantenha o direito de visitar seu cliente, embora não conteste a punição.
Mesmo preso, Lula manteve atuação política intensa. Participou de 22 entrevistas com veículos nacionais e internacionais, escreveu cartas públicas e reafirmou sua candidatura à Presidência. Quando a Justiça Eleitoral impediu sua participação, escolheu Fernando Haddad como candidato. Em setembro de 2018, o STF autorizou jornalistas a entrevistarem Lula na carceragem após debates entre os ministros Ricardo Lewandowski (a favor), Luiz Fux (contra) e Dias Toffoli (que derrubou o veto).
O movimento Advogados de Direita Brasil questionou a decisão de Moraes perante a OAB, destacando que o Estatuto da Advocacia garante ao profissional o direito de se comunicar com o cliente. “Advogado constituído não é mero visitante”, ressaltou o grupo em sua representação. A defesa de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente entregou a carta ao filho sem exigir sua divulgação, enquanto outros documentos já haviam sido expostos publicamente.
A punição de 90 dias contra Flávio Bolsonaro se estende por todo o período crítico da campanha eleitoral e termina após o primeiro turno. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acompanharam a decisão com “apreensão”, criticando o equívoco entre áreas penal e eleitoral em sua fundamentação. O decano do STF, Gilmar Mendes, destacou que o tribunal está “vigilante” sobre a atuação da Justiça Eleitoral.
Enquanto isso, Lula utilizou sua prisão para consolidar sua imagem como líder de oposição, mantendo contato com intelectuais e organizações globais. O petista reforçou seu apoio à candidatura de Haddad após a proibição judicial, enquanto Bolsonaro enfrenta limitações no planejamento eleitoral por conta da prisão domiciliar.
Com informações da Revista Oeste

