Partido Democrático Trabalhista apoia Lula na reeleição após 12 anos de divergência
No dia 21 de outubro de 2023, durante a convenção nacional do PDT em Brasília, Carlos Lupi, presidente da legenda, anunciou o apoio ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial. Trata-se da primeira vez desde 2011 que o partido endossa um petista no primeiro turno das eleições, marcando uma virada estratégica em relação à trajetória recente do PDT.
Lupi destacou a relevância de Lula não apenas para o Brasil, mas também para a democracia internacional. “Sua missão vai além das fronteiras nacionais; ele precisa defender a democracia global”, afirmou durante seu discurso. A aliança inclui uma reciprocidade: o PT apoiará as pré-candidaturas de Juliana Brizola (PDT) no Rio Grande do Sul e de Requião Filho (PDT) no Paraná.
Contexto eleitoral e mudanças na estratégia
O apoio ao petista contrasta com as últimas eleições, em que o PDT lançou Ciro Gomes como candidato à Presidência. No segundo turno de 2018 e 2022, o partido declarou apoio aos candidatos do PT contra Jair Bolsonaro (PL). Agora, com a saída de Ciro para o PSDB em 2025, o PDT busca redefinir seu papel no cenário eleitoral.
Ciro Gomes, que tenta agora uma candidatura ao governo do Ceará, negocia uma aliança com o PL e a família Bolsonaro. Enquanto isso, Lupi enfatiza que a parceria com Lula é uma prioridade estratégica para o PDT.
Controvérsias na gestão de Lupi
A decisão de apoiar Lula ocorre em um momento delicado para Lupi. Ele deixou o Ministério da Previdência Social no final de 2024, após investigações sobre fraudes no INSS que envolvem desvios estimados em R$ 6 bilhões. As apurações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) indicam que irregularidades nos descontos de benefícios já eram conhecidas desde junho de 2023.
Segundo documentos do Conselho Nacional de Previdência Social, Lupi foi informado sobre as suspeitas, mas não tomou medidas imediatas. A primeira ação para investigar o caso só ocorreu em 2024. O ex-ministro Alessandro Stefanutto, indicado por Lupi para comandar o INSS, também deixou o cargo após investigações.
Passado no Ministério do Trabalho
Antes de assumir a Previdência, Lupi dirigiu o Ministério do Trabalho entre 2007 e 2011, durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. Sua saída da pasta foi provocada por denúncias sobre irregularidades em convênios com ONGs. A Comissão de Ética da Presidência recomendou sua demissão, o que ele aceitou antes da formalização do processo.
Com informações da Revista Oeste

