Bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha é determinado pelo STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A medida foi tomada no dia 6 de julho e divulgada publicamente na última semana, após solicitação da Polícia Federal (PF) durante a Operação Transparência. O bloqueio faz parte de uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares.
De acordo com o STF, Cunha, que foi cassado por infrações eleitorais em 2016, atuaria como “agente privado” com influência política equivalente à dos parlamentares em exercício. A PF identificou uma estrutura paralela de decisões que direcionava verbas públicas para a campanha do ex-deputado ao cargo de deputado federal pelo Estado de Minas Gerais.
A investigação aponta que Cunha utilizava o apoio da servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek (conhecida como Tuca), para influenciar a destinação de recursos. Os agentes da PF destacam que análises de dados revelaram “um arranjo decisório paralelo” no qual o ex-deputado desempenhava um papel central na redistribuição de emendas parlamentares.
O ministro Flávio Dino ressaltou que Cunha “sem possuir mandato parlamentar, atuava como mandante do redirecionamento de valores públicos, especialmente em prol da campanha eleitoral que pretende disputar pelo Estado de Minas Gerais”. A decisão também suspendeu a execução de todas as despesas vinculadas às 21 emendas parlamentares identificadas, independentemente do estágio das transações (empenho, liquidação ou pagamento).
Os investigadores apontam que documentos falsificados foram usados para ocultar o verdadeiro destinatário das indicações de verbas. A Câmara dos Deputados foi notificada a fornecer, em até 10 dias, todos os registros internos relacionados às emendas citadas na operação.
Eduardo Cunha, que disputou eleições em 2022 por São Paulo sem sucesso, agora se apresenta como pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais. A investigação do STF destaca que o ex-deputado “revela contar com uma cota informal de valores”, utilizando recursos públicos para atender interesses políticos regionais.
Com informações da Revista Oeste


