Ministro do TSE propõe certificação para institutos de pesquisa eleitoral

Proposta do TSE busca padronizar pesquisas eleitorais com certificação técnica

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentou uma iniciativa para instituir uma certificação oficial destinada a institutos de pesquisa eleitoral que demonstrarem maior precisão em seus levantamentos. A proposta foi discutida durante reunião com representantes de 16 empresas do setor, que têm até a próxima sexta-feira (17) para enviar contribuições sobre os critérios da nova regulamentação.

Na ocasião, Nunes Marques ressaltou o papel estratégico das pesquisas na formação do debate político e na percepção dos eleitores sobre o cenário eleitoral. O magistrado destacou que as evoluções nas metodologias de coleta de dados e nas formas de comunicação exigem ajustes contínuos nos modelos de pesquisa.

Contexto da proposta: desavença com pesquisa do AtlasIntel

A iniciativa surge após discussões no TSE sobre a legalidade de uma pesquisa conduzida pelo Instituto AtlasIntel. Em junho, o plenário da Corte interrompeu o julgamento de uma decisão individual de Nunes Marques que determinava a suspensão de um levantamento do instituto.

Na época, o AtlasIntel havia divulgado um estudo em maio, após o vazamento de áudio ligando o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O instituto alegou que a pesquisa era técnica e legal, mas o Partido da Liberdade questionou a metodologia, acusando o questionário de induzir respostas negativas sobre o candidato.

O TSE ainda não retomou o julgamento do caso, após a ministra Estela Aranha solicitar vista e interromper a análise. A decisão individual de Nunes Marques permanece em vigor, mantendo a suspensão da pesquisa até que a Corte conclua a discussão.

O presidente do TSE reforçou que a certificação busca garantir transparência e credibilidade nos dados apresentados pelos institutos, reforçando o papel do Tribunal na fiscalização das práticas eleitorais.

Com informações da Revista Oeste