Ministro Durigan aponta guerra no Irã como causa da inflação e minimiza

Ministro da Fazenda atribui inflação ao conflito no Irã e defende meta fiscal

No dia 24, o ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou durante evento na capital paulista que a inflação atual no Brasil está diretamente ligada ao conflito no Oriente Médio, especialmente à guerra no Irã. Ele destacou que os impactos geopolíticos sobre os preços do petróleo são fatores centrais para o aumento da pressão inflacionária, desconsiderando críticas sobre as medidas de crédito adotadas pelo governo.

Durigan classificou como “exagerada” a avaliação de economistas que vinculam a alta dos preços aos gastos públicos. Em discurso no painel da Expert XP, o ministro reforçou que a guerra no Irã é um vetor principal para a inflação global, com reflexos diretos nos mercados internacionais de energia.

“Neste ano, o que eleva a pressão inflacionária é a guerra do Irã. Não são as medidas do governo que estão gerando essa pressão”, afirmou Durigan.

O ministro destacou que os preços internacionais do petróleo, impactados pelo conflito, têm sido o principal motor da inflação no país. Ele reforçou a necessidade de manter o compromisso com a meta fiscal e citou bloqueios orçamentários como ferramentas para controlar as contas públicas.

Críticas ao aumento de despesas públicas

A declaração ocorreu em meio a críticas de economistas e agentes do mercado sobre o crescimento dos gastos públicos e a expansão de programas crediticios. Para Durigan, entretanto, atribuir a inflação às iniciativas governamentais ignora o peso dos fatores externos.

Este ano, a meta do governo é um superávit primário de R$ 34,3 bilhões. Contudo, em maio, as contas públicas fecharam com déficit primário de R$ 53 bilhões. A dívida pública atingiu R$ 9 trilhões, com aumento de R$ 234,4 bilhões no mesmo período.

Endividamento familiar e restrições creditícias

Durigan também abordou o alto endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, muitos consumidores contrairam empréstimos durante a pandemia e não conseguiram administrar as dívidas. O ministro defendeu medidas para desincentivar novas operações de crédito.

Antes do início do defeso eleitoral, Lula lançou programas como subvenções ao combustível e o aporte de R$ 3 bilhões ao Desenrola Adimplentes. No entanto, Durigan afirmou que o governo não planeja adotar medidas eleitoreiras, como aumento do Bolsa Família.

“Neste ano, será muito diferente de 2022. Não temos calote em precatórios, nem aumento do Bolsa Família sem previsão orçamentária”, ressaltou o ministro.

Dívida pública e projeções futuras

O ministro destacou que a dívida pública deve se estabilizar entre 2029 e 2030. “A projeção é de um superávit de 0,5% no ano que vem”, afirmou, mencionando a possibilidade de reduzir subvenções e aproveitar o aumento nos preços do petróleo.

O Comitê de Política Monetária (Copom) alerta que o afrouxamento fiscal exige cautela na redução da Selic. Após sete meses em 15% ao ano, a taxa básica de juros caiu para 14,25%. Durigan acredita que “disciplina fiscal e ajustes nas regras” são fundamentais para atingir as metas.

Regulamentação das casas de apostas

O ministro também defendeu a ampliação da regulamentação das casas de apostas, visando desincentivar práticas financeiras não controladas. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participou do painel e afirmou que a ideia de que juros altos beneficiam o mercado “não se comprova empiricamente ou logicamente”.

Galípolo classificou como “desinformação” as críticas sobre projeções infladas no Boletim Focus. Ele ressaltou a importância de análises baseadas em dados reais, não apenas em pressões do mercado.

Com informações da Revista Oeste