Ministro Moraes suspende visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias

Na segunda-feira (13), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão por 90 dias das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, Jair Bolsonaro. A medida baseia-se em uma carta escrita pelo ex-presidente, que foi compartilhada por Flávio nas redes sociais e reafirma a candidatura do filho ao cargo de presidente.

Na comunicação, Jair Bolsonaro pede unidade entre os setores da direita e destaca o papel do “01” (referência ao senador) como seu porta-voz. Moraes considera que a divulgação da carta pode configurar desrespeito às regras estabelecidas pela prisão domiciliar humanitária, que limita as atividades de Bolsonaro em razão de sua saúde.

“Exige-se que a defesa do custodiado manifeste-se em 48 horas sobre a possível desobediência à ordem judicial por parte de Jair Bolsonaro, incluindo se o condenado tinha ciência da divulgação da carta por meio das redes sociais do senador Flávio”, afirma o ministro em documento oficial.

Condições de prisão e investigações

O magistrado encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apurar se houve propaganda eleitoral antecipada. Segundo Moraes, a leitura da carta por Flávio durante transmissão ao vivo nas redes sociais sugere que o conteúdo foi produzido com intenção de ser divulgado publicamente.

“A afirmação do senador – ‘É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’ – indica que Jair Bolsonaro tinha plena ciência da divulgação da carta nas redes sociais, o que configura desrespeito à medida cautelar”, destaca o juiz.

As determinações de Moraes reforçam a aplicação das restrições impostas à prisão domiciliar do ex-presidente. A decisão judicial também ressalta a necessidade de esclarecimentos sobre a conduta de Bolsonaro em relação às normas estabelecidas pelo STF.

As ações de Moraes têm sido acompanhadas por analistas e juristas, que destacam o impacto das decisões no contexto eleitoral e nas dinâmicas da família Bolsonaro. A suspensão das visitas, aliada à investigação sobre a divulgação da carta, reflete a complexa intersecção entre direito, política e as implicações legais de atos públicos.

Com informações da Revista Oeste