Ministro Mucio discute com EUA sobre classificação de facções como terroristas

Ministro da Defesa reúne-se com autoridade norte-americana para discutir classificação de facções como terroristas

O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, participará de um encontro marcado para esta quarta-feira, 8, com o vice-ministro de Guerra dos Estados Unidos, Elbridge Colby, durante a Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), em Cusco, no Peru. O objetivo do diálogo é abordar a decisão recente do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A medida foi adotada em junho, sem envolvimento direto do governo brasileiro. Durante a conversa, Mucio buscará esclarecer se os EUA têm planos de intervenção no Brasil e reforçará o argumento de que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional.

Antes do encontro com Colby, o ministro deverá alinhar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva os principais pontos que serão abordados ao representante norte-americano. O Palácio do Planalto expressou preocupação sobre a possibilidade de interferências externas, em referência ao episódio envolvendo a Venezuela.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o governo brasileiro quer reafirmar que as autoridades locais possuem mecanismos adequados para lidar com grupos criminosos, sem interferência externa. Mucio sustentará essa posição durante a reunião, destacando a necessidade de respeito à autonomia do país.

O ministro já havia manifestado essa linha de pensamento em março, ao comentar sobre a pressão norte-americana para classificar facções brasileiras como terroristas. Na ocasião, ele afirmou que o tema deve ser conduzido exclusivamente pelo Brasil.

Nas últimas semanas, integrantes do governo dos EUA voltaram a defender a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Contudo, o governo Lula avalia que essa medida pode abrir espaço para interferências externas sob o pretexto de combate ao terrorismo.

A administração federal sustenta que, segundo a legislação brasileira, facções criminosas não se enquadram no conceito jurídico de terrorismo. Mucio, frequentemente escalado por Lula para negociações sensíveis, liderará as discussões com Colby à margem da programação oficial da CMDA.

Com informações da Revista Oeste