Papudinha: da segurança prisional ao acolhimento de figuras políticas e investigados
Localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha, transformou-se ao longo dos anos. Inicialmente responsável pelo apoio operacional à segurança do sistema prisional, a unidade passou a abrigar investigados e condenados de alto perfil, incluindo ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o local hoje acolhe nomes como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro. A mudança no perfil do batalhão começou em 2016, quando a Vara de Execuções Penais determinou que a unidade pudesse funcionar como sala de Estado-Maior, destinada à custódia de advogados e autoridades sob investigação.
A passagem do ex-presidente Jair Bolsonaro pela unidade, antes da concessão da prisão domiciliar, consolidou a criação de uma ala específica para custodiados submetidos à análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente, Daniel Vorcaro ocupou a cela anteriormente utilizada por Bolsonaro. A mudança exigiu reorganizações internas, incluindo a redistribuição dos presos e o aumento da vigilância para evitar contato entre ele e Paulo Henrique Costa.
Segundo relatos de pessoas com acesso à unidade, Paulo Henrique Costa dedica parte do dia a reuniões com advogados, enquanto tenta avançar em uma negociação de colaboração premiada. A proposta foi oficialmente recusada pelo Ministério Público Federal. Já Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, e Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-comandante do Departamento de Operações da PM-DF, têm usado o tempo para estudos.
A unidade também oferece assistência religiosa e participação no programa Recomeçar, que visa apoio emocional e orientação financeira aos presos. Com capacidade para 60 internos, a Papudinha atualmente abriga 52 pessoas distribuídas em alojamentos coletivos.
A PM-DF defende que o local seja oficialmente classificado como presídio, argumentando que a mudança permitiria acesso a recursos federais ou do Distrito Federal. Atualmente, os custos são suportados exclusivamente pelo orçamento da instituição. A permanência de Vorcaro no complexo gerou debates jurídicos, já que a custódia em sala de Estado-Maior é normalmente destinada a advogados e autoridades com prerrogativas específicas.
As diferenças entre as unidades prisionais do Distrito Federal e da União são significativas. Enquanto a Papudinha permite visitas familiares duas vezes por semana, a Penitenciária Federal de Brasília adota regras mais rígidas, com contato físico limitado a comunicação por telefone. Nenhum dos presos citados tem direito a visitas íntimas.
Com informações da Revista Oeste


