Paramount adquire Warner Bros. Discovery em acordo histórico

Paramount adquire Warner Bros. Discovery em acordo histórico

Crédito da imagem: TechCrunch

Uma das maiores operações de aquisição do setor de entretenimento

Em 2025, o setor de streaming e entretenimento testemunharia uma das mais importantes fusões da história. O acordo, que envolve a aquisição de ativos da Warner Bros. Discovery (WBD) por um valor recorde, tem potencial para transformar a indústria cinematográfica e os modelos de negócios de mídia.

O WBD, que vinha enfrentando dificuldades financeiras com uma dívida acumulada em bilhões de dólares, combinada à queda no número de espectadores em canais por assinatura e à intensa concorrência dos serviços de streaming, passou a considerar mudanças estratégicas. Entre as opções avaliadas estava a venda de seus ativos de entretenimento para uma empresa rival.

Várias grandes corporações identificaram oportunidades no mercado, mas foi em dezembro de 2025 que a Netflix anunciou um acordo para adquirir os estúdios e o serviço de streaming da WBD por US$ 82,7 bilhões. No entanto, uma virada surpreendente ocorreu no final de fevereiro de 2026, quando a Paramount se tornou a vencedora da disputa, oferecendo US$ 111 bilhões para comprar todos os ativos da WBD, incluindo estúdios, HBO, plataformas de streaming e redes como CNN e HGTV.

A oferta foi aprovada pela Justiça dos Estados Unidos em junho de 2026. No entanto, um juiz federal suspendeu o negócio após uma ação judicial movida por uma coalizão de 12 estados que acusou a fusão de políticas prejudicadas a concorrência no mercado.

Detalhes do processo e desafios

Tudo começou em outubro de 2025, quando a WBD divulgou que estava explorando uma possível venda após atrair o interesse de grandes players do setor. A disputa entre as empresas se intensificou rapidamente, com a Paramount e a Comcast surgindo como candidatas fortes. Inicialmente, a Paramount era vista como a favorita.

No entanto, o conselho do WBD determinou que a proposta da Netflix fosse mais atraente. A empresa de streaming ofereceu US$ 82,7 bilhões apenas pelos ativos cinematográficos e de televisão da WBD. Diante disso, a Paramount persistiu em sua tentativa de adquirir a WBD, aumentando sua oferta para cerca de US$ 108 bilhões.

Para garantir a previsão do negócio, a Netflix revisou seu acordo em janeiro de 2026, oferecendo uma proposta totalmente em dinheiro por US$ 27,75 por ação da WBD. Esse movimento ajudou a tranquilizar os investidores e a avançar com o negócio.

A Paramount, por sua vez, continua pressionando pela aquisição. No entanto, o conselho do WBD rejeitou repetidamente as ofertas da empresa, preocupado com o alto nível de dívida da Paramount e os riscos associados à proposta. Em janeiro de 2026, a Paramount ajuizou uma ação judicial buscando mais informações sobre o acordo com a Netflix.

Em fevereiro de 2026, a Paramount aumentou sua oferta para US$ 31 por ação, levando o conselho do WBD a reconsiderar a proposta. A Netflix, no entanto, decidiu não aumentar a sua oferta e encerrar as negociações.

“O negócio que negociamos teria criado valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória”, afirmaram os CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, em uma declaração de 26 de fevereiro. “No entanto, sempre fomos disciplinados, e no preço necessário para corresponder à oferta mais recente da Paramount Skydance, o negócio deixou de ser financeiramente atraente, então estamos recusando a proposta.”

Além dos bilhões em dívidas que já possui, a Paramount assumirá cerca de US$ 33 bilhões em dívidas do WBD. O acordo será financiado com um compromisso de US$ 54 bilhões em dívida por parte do Bank of America, Merrill Lynch, Citi e Apollo Global Management, além de uma injeção de capital de US$ 45,7 bilhões proveniente de Larry Ellison.

Desafios regulatórios e outras preocupações

A transferência enfrenta obstáculos significativos, incluindo a dívida assumida que pode representar uma carga financeira importante. Além disso, David Ellison, controlador da Paramount, alertou sobre possíveis cortes de empregos no futuro próximo.

Já há conversas amplamente divulgadas sobre o impacto potencial na força de trabalho e nos nossos avanços. Ellison também é uma figura polêmica no setor, com sua posse sobre a CBS News sendo vista como favorável à administração de Donald Trump, do qual seu pai, Larry Ellison, é um grande apoiador.

Sob o controle de Ellison, a cobertura crítica da administração foi restringida ou submetida a uma maior supervisão por parte de Bari Weiss, figura conservadora nomeada para liderar a CBS News. Essas questões podem impactar a confiança e a independência jornalística da empresa.

Fusões e Regulamentações: O Caminho Acidentado da Aquisição da Warner Bros.

As movimentações recentes no setor midiático geraram preocupação em algumas das maiores empresas do ramo. Especialmente entre os colaboradores da CNN, que pertencem à Warner Bros. Discovery (WBD), há uma expectativa crescente sobre o futuro do canal após as ações de Donald Trump, que tem se mostrado ativo na pressão por mudanças em veículos críticos ao seu governo.

Segundo relatos, Trump buscou diretamente concessões de divisões jornalísticas que publicaram conteúdos desfavoráveis ​​à sua imagem. Um exemplo recente é o acordo de US$ 16 milhões com a CBS, concluído antes da aprovação pela FCC da aquisição da Paramount por parte do grupo Ellison. Além disso, antes da saída da Netflix do negócio, Trump exigiu que a plataforma removesse Susan Rice, ex-membro da equipe de Biden na Casa Branca, de seu conselho.

Trump também manifestou publicamente o desejo de “impor uma nova ordem” à CNN, caso a aquisição pela Paramount seja finalizada. No entanto, a trajetória do negócio enfrenta obstáculos significativos, principalmente no âmbito regulatório.

Investigação e pressão legal

A fusão entre duas das maiores empresas de entretenimento do mundo chamou a atenção dos legisladores. No dia 26 de fevereiro, o Procurador-Geral da Califórnia, Rob Bonta, afirmou que a investigação da Secretaria de Justiça do estado ainda está aberta e que a equipe tomará medidas rigorosas para avaliar os resultados da operação.

Além disso, um grupo de 11 Estados, liderado por Bonta, solicita ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) uma análise detalhada sobre o potencial efeito da transferência. A preocupação central é com a redução da concorrência no mercado e o aumento possível nos preços para os consumidores.

Essa entrega coincide com alertas anteriores emitidos por senadores como Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Richard Blumenthal, que já alertaram o DOJ sobre os riscos de uma concentração de poder excessivo no setor. Eles alegaram que a operação poderia permitir ao conglomerado resultar na fixação de preços mais altos e alternativas limitadas para o público.

Conflito judicial

Apesar da aprovação do DOJ em junho, um grupo de 12 Procuradores-Gerais estaduais apresentou uma ação judicial no dia 13 de julho para bloquear a transferência. O processo afirma que a operação poderia prejudicar a concorrência, impactando negócios como cinemas, distribuidores de TV e espectadores finais.

Entre os Estados envolvidos estão na Califórnia, Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington. O caso está sob a liderança de Rob Bonta.

No dia 27 de julho, o Juiz Federal Araceli Martínez-Olguín concedeu uma pausa temporária de 14 dias para que as partes analisem os próximos passos.

Quando a fusão será concluída?

No início do processo, a Paramount esperava concluir a compra da WBD até julho. Porém, o fechamento foi adiado e está atualmente suspenso até 3 de agosto. Os dados marcados para uma audiência judicial serão decisivos para definir se o bloqueio temporário será prorrogado.

Atenção ao estágio…

Com informações do Techcrunch