Ex-presidente do INSS é acusado de receber propina para omitir irregularidades em aposentadorias
O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, enfrenta acusações da Polícia Federal (PF) de ter recebido até R$ 250 mil mensais em propina para não fiscalizar entidades que descontavam valores ilegalmente de aposentadorias e pensões. As informações constam do relatório final da Operação Sem Desconto, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 14 de julho.
O documento indiciou 48 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Entre os acusados estão Stefanutto, ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro Filho, ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Todos estão presos preventivamente desde 2024.
Conafer apontada como beneficiária da propina
Segundo a PF, parte dos recursos destinados a Stefanutto provinha da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade acusada de liderar o esquema. O relatório revela que os repasses ocorreram por meio de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria.
Investigadores encontraram planilhas com registros de pagamentos atribuídos à Conafer, que coincidem com transferências bancárias identificadas durante a apuração. A PF afirma que a entidade possuía estrutura organizada e divisão de funções, características compatíveis com uma organização criminosa.
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, também foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Ele é considerado foragido.
Relatório limita-se à investigação sobre a Conafer
A PF destacou que o relatório enviado ao STF aborda exclusivamente a investigação relacionada à Conafer. Stefanutto, Virgílio Antônio Ribeiro Filho e André Fidelis foram indiciados por organização criminosa e corrupção passiva, enquanto Antonio Camilo Antunes responderá por lavagem de dinheiro e participação em esquema de corrupção.
O documento não trata do inquérito que investiga possível ligação entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e Antonio Camilo Antunes.
Contexto político e nomeação de Stefanutto
Alessandro Stefanutto assumiu a presidência do INSS em julho de 2023 por indicação do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. Lupi deixou o cargo em abril de 2025, após revelações sobre fraudes ligadas aos descontos ilegais em benefícios previdenciários.
Agora, cabe ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, encaminhar o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se oferece denúncia contra os acusados. Os 48 indiciados respondem por crimes como inserção de dados falsos em sistemas de informação e lavagem de bens.
Com informações da Revista Oeste


