Investigação aponta origem do vazamento de mensagens de Vorcaro na CPMI do INSS
A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o vazamento de conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff, teve origem no material obtido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, revelou que servidores da Câmara dos Deputados e do Senado tiveram acesso aos arquivos extraídos do celular de Vorcaro, dificultando a identificação do responsável pelo vazamento.
De acordo com o relatório policial, os diálogos publicados pela imprensa coincidem com conteúdo presente nos arquivos entregues à CPMI. A investigação concluiu que não há evidências de que as mensagens tenham sido obtidas por meio de fontes independentes ou divulgadas antes do acesso ao material da comissão.
O ministro Mendonça, relator do caso no STF, determinou a instauração da apuração para esclarecer o desvio de informações. As diligências incluem a obtenção dos registros de acesso à sala-cofre onde os dados foram armazenados e as imagens do sistema de monitoramento interno do local.
Na operação realizada no Senado, a PF solicitou ao órgão uma cópia do livro de registro de acessos à sala-cofre e das gravações de câmeras de segurança. A administração da Casa informou que não havia autorização judicial específica para essa finalidade, e os documentos foram lacrados até nova determinação judicial.
O relatório destacou que a sala-cofre permanece trancada sob vigilância constante de um policial legislativo. Apesar disso, as imagens do sistema de monitoramento não foram disponibilizadas durante a apuração.
A PF também produziu um relatório sobre a coleta de dados armazenados na nuvem do celular de Vorcaro, extraídos diretamente por uma empresa de tecnologia e mantidos sob custódia da CPMI no Senado.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD), afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não comenta o documento sem acesso formal. Ele ressaltou que a comissão atuou dentro dos limites legais e que os registros de acesso e imagens foram preservados sob responsabilidade da PF, do Senado e da Presidência da Casa.
Em nota, Viana destacou que a CPMI encerrou suas atividades em março de 2026 sem indiciar nomes associados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele reforçou que a preservação da cadeia de custódia dos dados é essencial para garantir a transparência do processo.
A investigação segue em andamento, com a PF aguardando novas determinações judiciais para obter informações adicionais sobre os acessos à sala-cofre e o monitoramento do local.
Com informações da Revista Oeste


