PF finaliza investigações iniciais da Operação Sem Desconto e indica 48 pessoas por esquema no INSS
A Polícia Federal encerrou a primeira fase das investigações da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório produzido durante a etapa foi entregue ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pelo caso. De acordo com o documento, 48 pessoas estão indicadas por suspeita de envolvimento no esquema.
Entre os indiciados constam dois ex-presidentes do INSS, Alessandro Stefanutto e José Carlos Oliveira, além de nomes ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), como o presidente Carlos Roberto Ferreira Lopes, considerado foragido. O relatório também menciona o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).
Segundo a PF, a investigação foca inicialmente na atuação da Conafer junto ao INSS. A entidade teria recebido cerca de R$ 484 milhões em descontos sobre aposentadorias entre 2019 e 2024, segundo levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU). O relatório aponta que o esquema envolvia a obtenção de assinaturas de beneficiários, posteriormente convertidas em filiações associativas falsas.
Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A PF afirma que ele atuou como facilitador dentro do órgão e teria recebido R$ 250 mil mensais enquanto presidia o instituto. Já Carlos Roberto Ferreira Lopes foi acusado de liderar a operação criminosa, controlando a distribuição dos recursos desviados.
Euclydes Pettersen foi indiciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O relatório indica que ele teria recebido ao menos R$ 14,7 milhões em propinas e agido politicamente para garantir o funcionamento do esquema.
A Conafer afirmou que respeita a investigação da PF, mas destacou que “o indiciamento é uma manifestação da fase investigativa” e que as conclusões ainda serão analisadas por órgãos competentes. A entidade reforçou que os acusados têm direito à defesa legal.
Com informações da Revista Oeste


