PF investiga emendas vinculadas a Cunha assinadas pelo Republicanos

Polícia Federal investiga Eduardo Cunha por suposta manipulação de emendas parlamentares

O Ministério Público Federal (MPF) conduz uma investigação que aponta para a atuação irregular do ex-deputado federal Eduardo Cunha no direcionamento de 29 emendas parlamentares, registradas como indicações da liderança do partido Republicanos na Câmara dos Deputados. As propostas, aprovadas durante o ano de 2025, destinam mais de R$ 6,1 milhões aos fundos municipais de saúde de Minas Gerais.

Segundo relatório preliminar divulgado pela PF, Cunha teria sido o principal responsável pelas indicações, mesmo sem possuir mandato parlamentar. As emendas foram formalmente registradas sob o nome da liderança do Republicanos, cujo então líder era o deputado federal Gilberto Abramo (MG). O parlamentar não se manifestou até o momento.

Com base nas evidências coletadas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão da execução das emendas e o bloqueio de bens de Cunha no valor equivalente ao montante investigado. A decisão foi tomada após análise de conversas encontradas no celular da servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuou como intermediária na tramitação das propostas.

De acordo com a defesa de Cunha, o ex-deputado nega qualquer irregularidade e afirma que “não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas”. O advogado do político informou que recorrerá da decisão judicial.

Indícios de desvio de finalidade

A investigação aponta para a existência de “suspeitas evidentes” de que as emendas foram direcionadas de forma forjada, com o objetivo de ocultar o real interesse político por trás das indicações. Todos os recursos vinculados às propostas foram pagos, consolidando o desvio de finalidade previsto no relatório da PF.

Os investigadores destacam que a servidora Tuca utilizou sua posição na Câmara para atender aos interesses políticos de Cunha, especialmente em Minas Gerais, Estado onde ele é pré-candidato a deputado federal. A PF considera que as conversas encontradas no aparelho da assessora comprovam a autoria do ex-presidente da Casa.

O relatório ainda sugere que a atuação de Tuca contava com o apoio da presidência da Câmara, abrindo espaço para a prática de crimes como peculato. A investigação segue em andamento, com possibilidade de novas revelações sobre os envolvidos no esquema.

Com informações da Revista Oeste