PF revela uso de apelidos em esquema de propinas no INSS

PF revela esquema de propina no INSS com R$ 312 milhões desviados

A Polícia Federal divulgou um relatório detalhado sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que aponta uma investigação envolvendo a movimentação de mais de R$ 312 milhões em recursos desviados. O operador financeiro Cícero Marcelino de Souza Santos é identificado como central na rede de pagamentos ilegais, segundo documentos obtidos por meio de inquérito em andamento.

De acordo com a investigação, o esquema utilizava apelidos para mascarar transações entre agentes públicos e políticos. Entre os beneficiários estão nomes ligados ao INSS e à política federal. Euclydes Pettersen, ex-ministro da Previdência, aparece como um dos principais receptores, com valores superiores a R$ 14,7 milhões.

O relatório descreve que Cícero e sua esposa controlavam empresas utilizadas para distribuir vantagens indevidas. As investigações destacam o uso de codinomes como “Heróis” e “Notáveis” para identificar os receptores das propinas, incluindo ex-funcionários do INSS e parlamentares.

Entre os nomes apontados estão:

  • “Herói V”: Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS;
  • “Herói A”: André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios;
  • “Herói E”: Euclydes Marcos Pettersen Neto (Republicanos-MG);
  • “O Italiano”: Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS;
  • “O Ministro”, “São Paulo” e “Abou Yasser”: José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência;
  • “O servidor do INSS”: Rogério Soares de Souza.

Segundo os dados divulgados, Euclydes Pettersen teria recebido cerca de R$ 14,7 milhões. Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, por sua vez, teria recebido R$ 6,5 milhões, enquanto André Fidelis obteve aproximadamente R$ 3,4 milhões.

A operação, denominada “Sem Desconto”, entrou em uma nova fase com a publicação desse relatório. A PF informa que novas descobertas podem levar à formalização de outros indiciamentos nos próximos dias.

As defesas de Alessandro Stefanutto e Euclydes Pettersen já manifestaram negação de irregularidades, afirmando que apresentarão contestações no processo judicial. Os advogados dos demais investigados ainda não se posicionaram publicamente.

Com informações da Revista Oeste