Polícia Civil indicia presidente do São Paulo por falsidade ideológica

Presidente do Conselho do São Paulo é indicado por falsidade ideológica

O indiciamento é parte da investigação pré-processual, que não configura condenação.

São Paulo, SP, 23 (AFI) – A Polícia Civil indiciou Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, por falsidade ideológica. O relatório final da investigação, assinado pelo delegado Tiago Fernando Correia, foi encaminhado ao Ministério Público e à Justiça na segunda-feira (20).

O indiciamento ocorre após a conclusão da fase de inquérito, que é pré-processual e não equivale a uma condenação. A decisão sobre a possível denúncia caberá ao Ministério Público, enquanto o Judiciário será responsável pelo julgamento. Olten nega as acusações apresentadas nos autos.

Segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), que conduziu a investigação, Olten teria organizado um “parecer” atribuído ao Conselho Consultivo – conhecido como “Conselho dos Cardeais” – favorável à reforma do estatuto do clube. A proposta visava a transformação do São Paulo em uma Sociedade Anônima (SAF).

A polícia afirma que o documento foi redigido pelo advogado externo Guilherme Salutti, conforme solicitado por Olten. O texto foi distribuído para obtenção de assinaturas dos membros do Conselho Consultivo: José Eduardo Mesquita Pimenta (presidente) e Ives Gandra da Silva Martins (secretário). A autoridade policial destaca que não houve reunião, convocação ou ata oficial sobre o tema.

Detalhes da acusação

O crime, conforme relata o inquérito, está na afirmação de uma deliberação colegiada que, segundo a polícia, nunca ocorreu. O advogado Guilherme Salutti confirmou ter elaborado a minuta a pedido de Olten. Um terceiro conselheiro afirmou que o colegiado não se reuniu em dezembro de 2025.

Segundo a investigação, o documento foi assinado por dois conselheiros e devolvido em cerca de duas horas e 21 minutos – um ritmo considerado incompatível com a complexidade do tema. Após a publicação do relatório, os signatários negaram formalmente qualquer reunião sobre o assunto, afirmando que o texto refletia apenas “conversas isoladas”.

Contexto da investigação

O relatório do DPPC destaca a sequência de eventos que levaram à abertura da investigação. Em 15 de dezembro de 2025, o ge noticiou áudios sobre suposta exploração ilegal de camarotes no clube, gerando uma crise de governança. No dia seguinte, o veículo publicou informações sobre a iminência de uma reforma estatutária.

Em 17 de dezembro, a proposta foi formalizada por Julio Casares. Para a polícia, essa sequência sugere uma estratégia para conter danos à imagem do clube. Olten alegou no depoimento que a manifestação do Conselho Consultivo era apenas opinativa e não vinculante, mas o delegado ressaltou que o próprio acusado utilizou a palavra “parecer” em documentos oficiais.

O inquérito segue para análise pelo Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia. Caso haja um processo judicial, a defesa de Olten poderá apresentar provas e argumentos perante a Justiça.