Presidente da Federação Marroquina comenta opção de Yamal por Espanha
O presidente da Federação Marroquina de Futebol, Fawzi Lakjaâ, fez uma declaração que misturou ironia e diplomacia durante uma entrevista ao jornal francês Unzi Mondial, reabrindo o debate sobre a escolha de Lamine Yamal em representar a Espanha, apesar de sua origem marroquina.
Lakjaâ destacou que “as portas do Marrocos permanecerão sempre abertas” para o jovem talento, mas complementou com uma frase polêmica: “Não conheço nenhum espanhol chamado Yamal”, referindo-se à decisão do jogador de usar apenas dois nomes em sua camisa, ignorando os sobrenomes completos.
O caso remete a um episódio que gerou atenção no cenário internacional. Nascido nos subúrbios de Barcelona, Yamal tinha a possibilidade de representar o Marrocos, país de origem de seu pai, Munir Nasraoui. A Federação marroquina afirmou ter feito “esforços contínuos” para convencê-lo, com reuniões no Marrocos e na Espanha.
Segundo Lakjaâ, o atacante do Barcelona “considerou brevemente a opção de vestir a camisa marroquina”, especialmente após a vitória histórica da seleção local na Copa do Mundo de 2022. No entanto, a escolha final foi pela Espanha, confirmada em 2023.
O presidente enfatizou que “respeitamos a decisão de Yamal e nunca nos opusemos a ela”. Ele ressaltou ainda o vínculo familiar com o país: “Sua família visita frequentemente regiões do norte, sua terra natal, e sempre serão bem-vindos”.
A referência à frase irônica de Lakjaâ está ligada ao nome completo do jogador, Lamine Yamal Nasraoui Ibana. Os sobrenomes foram escolhidos como homenagem a duas pessoas que ajudaram a família durante a gravidez da mãe, um gesto de gratidão.
Em uma declaração anterior, Lakjaâ brincou: “Espero enfrentar a Espanha na Copa do Mundo para ver se Yamal tomou a decisão certa”. O desafio pode virar realidade em 14 de julho, caso o Marrocos derrote a França e a Espanha vence a Bélgica.
A Federação marroquina reiterou que não vê a questão da dualidade nacional sob a ótica do orgulho ou do desânimo. “Trata-se de futebol, de sua natureza universal. Jogar por uma equipe com base administrativa não afeta nossos laços com o país”, afirmou Lakjaâ.
O presidente também destacou a relação histórica entre Marrocos e Espanha: “Nosso orgulho cresce quando a Espanha participa da formação de seleções amigas, como a nossa”.


