
Decisão do STF bloqueia ativos de Valdemar Costa Neto em investigação de direcionamento de recursos
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o congelamento de bens de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), até R$ 120 milhões. A medida foi tomada após a Polícia Federal (PF) identificar indícios de envolvimento do dirigente no controle de emendas parlamentares vinculadas ao Orçamento da União.
De acordo com a investigação, Valdemar teria influenciado a destinação de recursos públicos mesmo sem posse de mandato legislativo. A defesa do político nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação se limita a sugestões políticas dentro da legenda.
Distribuição de recursos em cidades administradas pelo PL
- Suzano (SP): R$ 27 milhões em duas emendas da Comissão de Saúde de 2024;
- Porto Seguro (BA): R$ 25 milhões atribuídos a Valdemar;
- Santa Fé do Sul (SP): R$ 9,5 milhões;
- Bebedouro (SP): R$ 9 milhões;
- Ubatuba (SP): R$ 7 milhões;
- Mogi das Cruzes (SP): R$ 3 milhões;
- Macedônia (SP) e Ilha Solteira (SP): R$ 220 mil cada.
Com exceção de Porto Seguro, todas as cidades beneficiadas estão localizadas no Estado de São Paulo, principal base eleitoral do PL. Além disso, o inquérito apurou que R$ 5,3 milhões foram direcionados a municípios cujas chapas vencedoras nas eleições de 2024 tiveram o partido em coligações.
Suspeitas e provas
A PF alega que Valdemar teria interferido em emendas parlamentares, incluindo as da mesa diretora e comissões. Parte das evidências foi coletada durante a operação contra Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), cujas mensagens sugerem envolvimento na operacionalização de recursos atribuídos ao PL.
Em junho de 2026, o deputado federal Glauber Braga denunciou a continuidade da atuação de Fialek na liberação de emendas. A investigação não comprova, porém, participação direta de Lira nas indicações.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Valdemar considerou a decisão do STF “frágil” e defendeu que a atuação política do dirigente está dentro da normalidade partidária. “Não há provas de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, afirmou em nota.
Os advogados destacaram que presidentes partidários costumam dialogar com parlamentares e influenciar decisões sobre verbas. Valdemar reconheceu ter feito sugestões, mas afirma que isso faz parte da atividade político-partidária.
As prefeituras citadas não se manifestaram até o momento.
Com informações da Revista Oeste


