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Reed Jobs e o impacto de Yosemite na oncologia
Reed Jobs, filho do falecido cofundador da Apple, Steve Jobs, é um personagem que combina energia inesgotável com uma abordagem inovadora. Sua trajetória profissional, marcada por uma paixão pela tecnologia e pelo empreendedorismo, agora se destaca no setor da saúde, especialmente na área da oncologia. Em 2023, ele fundou a Yosemite, uma empresa de capital de risco especializada em inovações para o tratamento do câncer.
A estratégia de Yosemite é única: combina filantropia sem restrições com investimentos tradicionais de capital de risco. O objetivo é transformar pesquisas acadêmicas em soluções biotecnológicas reais, desde a fase inicial de desenvolvimento. Atualmente, a empresa está no seu terceiro ano e tem como meta expandir sua atuação com o apoio de um novo fundo de US$ 350 milhões.
Destaque para startups promissoras
Entre as empresas que mais orgulham Reed Jobs está a Azalea, nascida de uma bolsa concedida ao laboratório da cientista Jennifer Doudna, e a Quarry, criada em parceria com o fundador Craig Crews. A segunda utiliza uma abordagem revolucionária chamada “proximidade induzida”, que envolve a manipulação física de proteínas causadoras de doenças.
Além disso, Yosemite tem se destacado na utilização de inteligência artificial (IA) para acelerar descobertas farmacêuticas e otimização de ensaios clínicos. Reed destaca que a IA agora é um componente central da operação da empresa, transformando desafios tradicionais em oportunidades.
Desenvolvimento do fundo e perspectivas
No primeiro trimestre de 2024, a Yose segundomite fechou a primeira fase de seu fundo, com uma estratégia que divide os recursos entre o desenvolvimento interno e o investimento em startups já existentes. Cerca de um terço do orçamento é destinado à criação de novos negócios, enquanto o restante é usado para apoiar projetos externos.
Reed também destaca a importância dos recursos filantrópicos no processo. Uma parte significativa do fundo é constituída como um “fundo aconselhado por doadores”, que permite investimentos sem restrições, além de uma contribuição anual de US$ 1 milhão proveniente de taxas de gestão.
Impacto da IA na saúde e no setor farmacêutico
O uso da IA tem sido fundamental para transformar o sistema de saúde, especialmente em hospitais que ainda dependem de tecnologias obsoletas. Reed menciona exemplos como a automação de centros de atendimento e a otimização de registros eletrônicos de saúde. Na área de ensaios clínicos, a IA pode reduzir custos e acelerar processos ao criar “controles sintéticos”, diminuindo o número de pacientes necessários.
Além disso, a IA está redefinindo a descoberta de medicamentos. Reed afirma que, embora haja excesso de otimismo em alguns setores, a tecnologia tem aprimorado significativamente tarefas repetitivas, contribuindo para avanços científicos reprodutíveis.
O futuro da pesquisa e desafios no financiamento
Apesar do progresso recente, Reed alerta sobre os riscos de cortes nos orçamentos federais para a pesquisa científica. Ele destaca que o apoio ao Instituto Nacional de Saúde (NIH) é crucial, e defende um aumento significativo no financiamento, chegando a US$ 100 bilhões anuais. Segundo ele, a falta de investimento afeta diretamente o ritmo de inovação no setor.
Enquanto isso, o mercado farmacêutico está se beneficiando da maior liberação de patentes e do aumento dos recursos financeiros das grandes empresas. Isso gerou uma série de aquisições e desempenhos notáveis, como o caso da Eli Lilly, que comprou a Kelonia por US$ 7 bilhões.
A Yosemite, com sua visão focada em oncologia e inovação, busca ser pioneira na criação de novas áreas médicas. Reed acredita que, ao unir filantropia e capital de risco, a empresa pode transformar o futuro do tratamento do câncer e da medicina em geral.
Inovações em alvos até então inacessíveis
A inteligência artificial revolucionou a medicina, proporcionando avanços que antes eram considerados impossíveis. Historicamente, apenas 15% do genoma era acessível para tratamentos farmacológicos, devido à complexidade química das proteínas interagidas. Esse cenário mudou com o advento da IA, como demonstra a Revolução Medicamentosa. A empresa conseguiu identificar e atingir o KRAS, um alvo que por décadas foi considerado inalcançável — uma estrutura “lisa” e sem recortes naturais para moléculas de medicamento se fixarem. Em 2013, a Amgen descobriu uma pequena cavidade no KRAS, levando o primeiro medicamento contra o alvo, o Lumakras. No entanto, esse tratamento funcionou apenas para uma mutação específica. A IA agora permite explorar variantes adicionais e desenvolver novas estratégias para bloquear o alvo.

O desafio do p53: um alvo crucial no câncer
A Yosemite Ventures está focada em alvos considerados até então “inacessíveis”, como o gene p53. Este gene, conhecido por sua função como inibidor de tumores, é frequentemente suprimido em diversos tipos de câncer. Ele é especialmente relevante no caso dos elefantes, cuja resistência ao câncer pode estar ligada à presença de múltiplas cópias do p53, ao contrário dos humanos, que possuem apenas uma. A empresa está explorando estratégias para reativar ou atingir formas mutadas do p53, um avanço que pode transformar o tratamento do câncer.
Tune Therapeutics: editando epigenética para combater a hepatite B
A Tune Therapeutics se destaca por utilizar a edição epigenética em desenvolvimento clínico, com foco na hepatite B — uma doença que afeta mais de 250 milhões de pessoas e é um dos principais fatores de risco para câncer hepático. A tecnologia permite adicionar ou remover grupos metil (pequenos marcadores químicos) no DNA do fígado, regulando a atividade genética sem alterar o próprio gene. Esse mecanismo, semelhante ao processo que leva à aparência de cabelos grisalhos, pode ser aplicado para silenciar o vírus da hepatite B, imitando a resposta natural observada em 1% dos pacientes que eliminaram o vírus espontaneamente.
Histosonics: uma abordagem inovadora com histotripsia
A Histosonics representa uma mudança de foco para Yosemite, que normalmente investe em biotecnologia. A empresa utiliza histotripsia — uma terapia não invasiva que cria bolhas de ar e colapsa para destruir tecido tumoroso com precisão. Esse método é especialmente promissor para tumores pancreáticos e hepáticos, já que o câncer pancreático frequentemente metastatiza para o fígado. A tecnologia pode se tornar uma parte fundamental do tratamento dessas doenças.
Portfólio de Yosemite e desafios no financiamento
O portfólio da Yosemite conta com cerca de 25 empresas, distribuídas entre os dois fundos. Apesar dos avanços, duas startups não conseguiram superar desafios científicos — um risco esperado em investimentos de alto impacto e alto risco. Em relação ao financiamento por grandes empresas farmacêuticas, o conselho é cauteloso: aceitar recursos pode limitar opções futuras, especialmente considerando as mudanças ocasionais nas prioridades dos líderes das indústrias farmacêuticas.
Oportunidades para fundadores e a importância da narrativa
A Yosemite incentiva os fundadores a se candidatarem sem barreiras, valorizando ideias em vez de currículos ou títulos. A empresa apoia desde laboratórios com Nobel até os primeiros projetos de inovação, independentemente do modelo tecnológico (moléculas pequenas, terapias genéticas, IA, saúde digital). No entanto, uma narrativa — especialmente em biotecnologia — é crucial para o sucesso. A divisão entre fundador acadêmico e CEO profissional facilita a comunicação de valor ao mercado.
Aceleração surpreendente na indústria farmacêutica
Em três anos, o Yosemite presenciou avanços que antes eram impossíveis. A ascensão da Eli Lilly como uma empresa farmacêutica de valor trilhão de dólares, graças ao GLP-1s — o maior grupo de medicamentos vendidos no mundo — mostrou que alvos como KRAS, Myc e p53, outros considerados inalcançáveis, estão dentro do alcance. Esses avanços também geraram novos interesses em áreas como neurodegeneração e câncer, independentemente da perda de peso.
O futuro da longevidade: desafios e oportunidades
Apesar do interesse na longevidade, o setor ainda enfrenta desafios. O envelhecimento é um processo complexo, com diferentes fatores influenciando células de forma distinta — desde telômeros até eficácia dos linfócitos T. Não há uma teoria unificada sobre o envelhecimento, como ocorre na física. Por isso, personalizar a saúde para cada indivíduo é mais promissor do que buscar soluções genéricas.
Com informações do Techcrunch



