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O segundo-sargento Estácio Leite da Silva Filho afirmou em testemunho perante a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que removeu uma pistola Glock 9 mm de posse do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com autorização da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Segundo o militar, ele aguardava a volta da ex-primeira-dama para devolver a arma quando foi interceptado por policiais militares em uma operação de fiscalização no bairro de Taguatinga, no DF.
O relato consta do documento conclusivo da investigação encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que analisou as circunstâncias da apreensão da pistola registrada em nome de Bolsonaro, encontrada com o soldado no dia 15 de junho.
De acordo com o inquérito, Estácio trabalha há seis anos na equipe do ex-presidente e foi convocado para inspecionar uma falha detectada no armamento. Ele afirmou que a pane foi causada por equipes de segurança e familiares, todos cientes da situação.
“No dia 15, por volta das 16h30, fui chamado pelo ex-presidente para verificar uma anomalia na arma, que estava com uma falha”, relatou o militar. “O problema foi identificado pela equipe de proteção e a família, e todos estavam informados sobre a situação.”
O soldado explicou que retirou uma peça da pistola para analisar a defeição, constatando que não havia danos reais. “Coloquei o componente de volta, corrigindo a pane, e esperei o retorno da dona Michele para entregar o armamento.”
Michelle Bolsonaro ausente em Goiânia
Conforme Estácio Leite, Michelle estava em viagem à cidade de Goiânia no dia do incidente. “A ex-primeira-dama não retornaria imediatamente, e fiquei aguardando até as 21h30”, contou o militar.
“Diante da demora, decidi levar a arma para casa, já que não havia permissão de Michelle”, afirmou. “Sai da residência por volta das 22h20, transportando o armamento em seu veículo, e foi abordado durante uma blitz de fiscalização.”
“Ao ser solicitado a realizar o teste do bafômetro, respondo que era voluntário”, detalhou o depoimento. “Durante a inspeção, policiais visualizaram a pistola no chão do carro e perguntaram se eu era militar.”
Estácio confirmou que estava armado e explicou que a arma pertencia ao ex-presidente. “Estava transportando o equipamento para manutenção”, declarou.
O relatório menciona que o soldado possui duas armas registradas, incluindo a Glock 9 mm do ex-presidente, cujo registro foi feito por meio de foto. “Não apresentei documentação no momento da apreensão, mas mostrei a imagem da certidão.”
A pesquisadora policial concluiu que o militar cometeu porte ilegal de arma de uso restrito ao transportar uma pistola registrada em nome de terceiro, sem autorização do proprietário e em desacordo com o Estatuto do Desarmamento. Por isso, foi indiciado.
Com informações da Revista Oeste


