Senado apoia negociação após nova tarifa dos EUA

Brasil reage a nova tarifa norte-americana: Senado alerta sobre impactos em setores estratégicos

O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida vinculada à investigação comercial conduzida pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A decisão foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que informou que as novas taxas entram em vigor no dia 22 de julho.

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado brasileiro emitiu uma nota oficial sobre o tema, reconhecendo que a ampliação da lista de exceções reduziu parte dos impactos. No entanto, o colegiado ressaltou que setores críticos à economia nacional ainda são afetados.

Na avaliação da comissão, presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a proposta final do governo norte-americano ficou abaixo da inicial. A nota destacou que produtos como ferro-gusa, couros, madeira, mel orgânico e café instantâneo foram incluídos nas exceções.

“A lista de exceções foi ampliada e passou a contemplar novos produtos estratégicos para o Brasil. Esse avanço demonstra que o diálogo institucional e a mobilização dos setores produtivos produziram resultados”, afirmou a CRE.

Ainda assim, a comissão alertou sobre os impactos em áreas como máquinas agrícolas, vestuário, calçados, papel, aço e equipamentos de mineração. Produtos como etanol, papel e máquinas agrícolas permanecem sob a sobretaxação.

Entre os itens mantidos fora da nova tarifa estão petróleo, café em grão, carne bovina, aeronaves e celulose — considerados estratégicos para o mercado norte-americano.

Comissão defende negociação e reforça mecanismos legais

A CRE ressaltou que tem buscado canais de diálogo com parlamentares dos EUA, representantes do setor produtivo e autoridades americanas desde o início da investigação. O colegiado defendeu uma solução negociada para preservar empregos e a relação econômica bilateral.

“Qualquer medida deve ser adotada com responsabilidade, baseada em critérios técnicos e considerando seus impactos sobre a economia nacional”, afirmou a nota. O USTR destacou que as tarifas não encerram as tratativas e que as medidas podem ser revisadas.

O Brasil conta com mecanismos legais, como a Lei da Reciprocidade Econômica, para defender seus interesses nos negócios internacionais. A CRE enfatizou que a ampliação da lista de exceções é prioridade para mitigar os efeitos sobre o país.

A comissão afirmou que continuará acompanhando o tema e pressionando por ajustes na aplicação das tarifas.

Com informações da Revista Oeste