Terreno de Wagner valoriza 115 vezes após projeto de sua gestão

Venda de terreno por Wagner é suspensa em investigação do STF

Uma transação imobiliária envolvendo um terreno de 51 mil metros quadrados, localizado na região da Via Metropolitana em Salvador, Bahia, foi bloqueada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 25 de junho. A suspensão ocorreu durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no Banco Master. O imóvel, originalmente adquirido por R$ 28 mil em 2000, foi comercializado recentemente por R$ 15 milhões — valorização de 11.400% em 26 anos.

O aumento no patrimônio está ligado à construção da Via Metropolitana, rodovia que conecta Salvador ao interior da Bahia. O projeto foi iniciado durante o governo do senador Jaques Wagner (PT-BA), que esteve à frente da gestão estadual entre 2007 e 2014. A obra, concluída em 2018 após investimento de R$ 220 milhões, transformou a região em um novo eixo urbano.

Segundo informações, o terreno faz parte de uma área maior da Traneves Patrimonial, empresa com sócios envolvidos no empreendimento Lagoons. O local será palco de um projeto residencial em parceria entre a QPC Incorporadora, o Grupo Terere e o City Football Group. As obras começaram recentemente, após a remoção da vegetação nativa.

Em entrevista à rádio Andaiá FM, Wagner explicou que parte do imóvel foi afetada pela construção da rodovia. “Não busquei indenização, pois considero que o terreno teve valorização natural com a implantação da Via Metropolitana”, afirmou. O político destacou que o projeto beneficiou a região, mesmo sem compensação financeira.

A suspensão judicial foi determinada pelo ministro André Mendonça do STF. A decisão incluiu restrições à movimentação de bens e contas do senador. As investigações da Operação Compliance Zero envolvem também a concessionária Bahia Norte, que atuava sob o controle das empresas OAS e Odebrecht até 2014.

O terreno, equivalente a sete campos de futebol, será integrado ao novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia. A área, antes preservada, agora receberá construções de alto padrão, com previsão de entrega em 2026.

Com informações da Revista Oeste