Aumento de 20% nas emendas parlamentares impacta municípios brasileiros
As prefeituras brasileiras receberam um aumento significativo no volume de recursos provenientes de emendas parlamentares no primeiro semestre de 2026. O total alcançou R$ 26,5 bilhões, um incremento de 20% em comparação com os R$ 22,1 bilhões registrados no mesmo período de 2022. A mudança está ligada à antecipação do repasse desses recursos por parte do governo federal, conforme determinado pelo Congresso Nacional.
A maior fatia dos recursos foi direcionada ao setor da saúde, que absorveu cerca de 65% do montante total. Municípios como Duque de Caxias (RJ) e Macapá (AP) lideraram o ranking de beneficiários, com recebimentos de R$ 208,5 milhões e R$ 152,1 milhões, respectivamente.
Entre as ações prioritárias destacam-se investimentos em saúde pública, com destaque para fundos municipais. Em cidades do Amapá, como Calçoene, Pracuúba e Ferreira Gomes, mais de 80% dos recursos federais destinados aos municípios são alocados nesse setor.
Distribuição dos recursos
- Saúde: 65% do total (R$ 17,2 bilhões)
- Estados e Distrito Federal: R$ 3,2 bilhões
- Instituições sem fins lucrativos: R$ 1,8 bilhão
- Meio Ambiente: Destinaram-se cerca de 90% dos R$ 70 milhões a mutirões de castração animal, enquanto menos de 1,5% foi alocado em políticas ambientais.
Dentre as emendas mais discutidas, destaca-se o uso de recursos para eventos culturais e esportivos. A plataforma Central das Emendas identificou 66 indicações relacionadas à realização de shows, incluindo uma emenda de R$ 497,5 mil do senador Jorge Kajuru (PSB-GO) para custear uma apresentação da dupla Fernando & Sorocaba em Santa Terezinha de Goiás. Além disso, foram registradas 178 emendas ligadas ao futebol e 111 destinadas à compra de tratores.
As chamadas “emendas Pix” somaram R$ 4,6 bilhões em pagamentos no período analisado, demonstrando a diversidade de usos dos recursos. Além disso, empresas como a fabricante chinesa XCMG foram beneficiárias com R$ 205 milhões para aquisição de máquinas.
Controvérsias e investigações
A movimentação financeira gerou novas discussões no âmbito judicial. No mês passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou o bloqueio de bens do presidente do Partido da Liberdade (PL), Valdemar Costa Neto, e do ex-deputado Eduardo Cunha, suspeitos de negociação irregular na liberação de emendas parlamentares.
A decisão foi questionada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que destacou a ausência de provas concretas de desvio de recursos.
Com informações da Revista Oeste

