Pierre van Hooijdonk defende que não é o momento para uma treinadora na seleção holandesa
No programa “NOS WK Avond”, Pierre van Hooijdonk voltou a falar sobre as declarações polêmicas que fez recentemente, defendendo sua posição de que uma mulher ainda não seria a melhor escolha para assumir o cargo de técnico da seleção masculina da Holanda. O ex-atacante ressaltou que, durante conversas com colegas e dirigentes, observa uma realidade cultural que, segundo ele, influencia a percepção sobre a liderança feminina no futebol.
Na semana passada, Van Hooijdonk afirmou à NOS que Sarina Wiegman não tem experiência suficiente no cenário do futebol masculino. “O debate sobre se uma mulher pode ser treinadora sequer existe para mim”, disse ele, destacando que a questão central é a falta de preparação técnica e prática no ambiente competitivo mais alto.
O ex-jogador argumentou que muitos atletas da seleção vêm de contextos culturais onde a figura masculina ainda domina áreas de autoridade. “Há uma diferença nas dinâmicas familiares e sociais que impactam a forma como os jogadores se relacionam com treinadores”, explicou, sem negar a importância do progresso das mulheres no esporte.
Durante a transmissão de sexta-feira, Van Hooijdonk reforçou que seu posicionamento não é uma opinião pessoal, mas um registro de realidade observada em clubes e federações. “Nem todos têm coragem de falar sobre isso, mas é algo que vemos diariamente”, afirmou, defendendo a necessidade de adaptação gradual.
O jornalista Jan Mulder questionou se a origem religiosa dos jogadores seria um obstáculo para aceitar uma treinadora. Van Hooijdonk respondeu que não vê o assunto como uma questão de fé, mas sim de tradição e hierarquia social.
Kenneth Perez, por sua vez, contestou a visão do ex-atacante, destacando que a Holanda é um país que valoriza a igualdade entre gêneros. “Se isso é verdade em outros lugares, não pode ser um argumento contra o futebol holandês”, afirmou o dinamarquês.
Ao final da entrevista, Van Hooijdonk manteve sua convicção: “Acredito que será possível no futuro, mas ainda falta tempo. O futebol feminino precisa de mais desenvolvimento e experiência para chegar a esse patamar.”
O ex-jogador defendeu que as mulheres devem primeiro ocupar cargos em categorias de base antes de assumir funções de liderança nas equipes principais. “A evolução está acontecendo, mas o ritmo ainda não é suficiente para uma mudança radical”, concluiu.


