Senador Jaques Wagner tenta vender imóveis após operação da PF
O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado Federal, enfrentou novas investigações após tentar comercializar dois imóveis de alto valor um dia após a 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. As transações, que envolvem valores superiores a R$ 25 milhões, foram bloqueadas por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Segundo informações obtidas pelo O Estado de S. Paulo, Wagner buscou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões localizado na Região Metropolitana de Salvador. A transmissão da propriedade foi impedida por ordem judicial que suspendeu a disponibilidade do imóvel. O mesmo bloqueio também afetou uma venda anterior, no valor de R$ 10 milhões, de um apartamento em Salvador, protocolada uma semana antes da operação.
Apesar do veto judicial, Wagner teria recebido parte dos valores envolvidos nas transações. O parlamentar, que está fora da liderança governamental no Senado e é pré-candidato à reeleição na Bahia, nega qualquer irregularidade. Em nota oficial, sua defesa afirma que não há “nenhuma ilegalidade” e ressalta que todos os fatos serão apurados judicialmente.
Detalhes das transações
A venda do terreno de 51 mil metros quadrados, adquirido em 2000, foi formalizada com uma empresa ligada ao Grupo City. O imóvel está situado próximo ao novo centro de treinamento do Bahia, um dos maiores clubes de futebol da região. Wagner teria acordado inicialmente a recepção de R$ 15,8 milhões em parcelas, mas posteriormente solicitou o pagamento à vista de R$ 2 milhões e a compensação restante por meio de lotes do empreendimento imobiliário.
Paralelamente, o senador vendeu um apartamento de quatro suítes no Corredor da Vitória, em Salvador, para o prefeito de Conceição do Coité (BA), Marcelo Passos de Araújo (União Brasil). O imóvel foi quitado integralmente com R$ 10 milhões, mas a transferência de propriedade foi suspensa após a ordem judicial.
A investigação da PF aponta que Wagner teria solicitado à empresa Banco Master a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador para sua filha. O senador nega as acusações, reforçando que todas as transações estão “totalmente registradas” e não envolvem ilegalidades.
As investigações continuam com o foco no desvio de recursos e na relação entre Wagner e o Banco Master. O STF mantém a ordem de bloqueio dos bens, enquanto a defesa do senador reforça que não há “nada a esconder” e que o caso será resolvido em tribunal.
Com informações da Revista Oeste


