Ucrânia: a guerra está desacelerando?

Quem estiver acompanhando com atenção a guerra que está acontecendo na Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022 poderá pensar que as tensões estão altíssimas e que poderemos estar próximo de uma Terceira Guerra Mundial. Mas se olharmos com atenção para o que “não” está acontecendo, compreendemos que a verdade é talvez a inversa. A guerra pode estar desacelerando até um ponto de congelamento. Veja nossa análise para entender essa perspectiva.

O lançamento inicial falhou

Diz a lenda (aliás, é um fato histórico reconhecido como tal) que o general romano Júlio César, ao decidir atravessar o rio Rubicão com seus soldados em direção a Roma com o objetivo de derrubar o governo do Senado, terá dito: “os dados estão lançados” ou “a sorte está lançada”.

O presidente Putin terá pensado algo semelhante, ao determinar uma “operação militar especial”. Ela deveria ser concluída em poucos dias, com a queda do governo de Zelensky e a conquista da Ucrânia ou pelo menos a substituição de Zelensky por um governante amigável, anti-União Europeia e anti-Otan, como Lukashenko em Belarus.

Mas o dito de César não significa que ele estivesse mesmo confiando na sorte. César foi um general muito capacitado. A política e a guerra não são aleatórias. A sorte, sim, é aleatória. Jogue jogos de cassino online, em plataformas de qualidade e imparciais, e saberá que ganhar ou perder depende apenas da sorte.

A jogada de Putin falhou, por mau planejamento. Rapidamente desistiu de Kiev, e teve de retirar também de Kharkiv e Kherson. Ainda assim, conseguiu conquistar uma grande faixa de terreno no sul, incluindo Mariupol.

Mas desde o verão de 2022 que ficou claro que Putin não tem meios para montar uma super ofensiva capaz de desmontar as defesas ucranianas. Isso obrigaria a um esforço humano que a sociedade russa poderá não suportar, e os próprios meios técnicos serão insuficientes. Não há provas que Moscou consiga substituir as perdas de material pesado que já sofreu.

Objetivo: congelar de novo

Estamos há longas semanas assistindo a uma batalha em torno de Bakhmut, promovida pelos mercenários do grupo Wagner. A Ucrânia, nesse momento, não tem possibilidades de romper o front russo. Mas, ao mesmo tempo, Putin não tem pressa. O tempo vai passando e ele está esperando que o Ocidente possa se cansar de apoiar a Ucrânia. As perdas do Wagner pouco lhe importam, pois seu apoio político interno está mais dependente dos soldados regulares do exército russo, que têm sido poupados. A isso junta-se o uso preferencial de soldados vindos da Chechênia, da sibéria e de regiões da Rússia habitadas por povos não russos.

Se a Ucrânia e o Ocidente desistirem, Putin poderá apresentar uma vitória, pelo menos parcial, a seu povo, e sair por cima.

Que outras saídas para esse conflito?

Notícias recentes dão conta de que a Ucrânia está preparando uma ofensiva de primavera. Apesar de todos os pedidos do presidente Zelensky para que seus aliados ocidentais lhe deem armas para ele resolver o problema em 2023, esse cenário parece muito incerto.

Mas será mesmo de descartar que a Ucrânia consiga empurrar a Rússia até suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, desde seu reconhecimento como nação e estado independente em 1991? O fato é que europeus e americanos estão enviando material militar pesado para Kiev. Veremos o que pode ainda acontecer.