Não é sobre comparar, é sobre respeitar, sobre entender que uma característica não define pessoas e que elas vão muito além do que o preconceito pode enxergar. Por isso, a partir desta quarta-feira, 2 de abril, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) lança a campanha “Livre para voar”, de conscientização e combate à discriminação que insiste em tratar com indiferença crianças, jovens e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo é convidar a sociedade a ter um olhar de igualdade, sem visualizá-los como incapazes. Nesse esforço pela conscientização, a iniciativa do MPAL exibirá uma websérie com quatro vídeos que vão mostrar depoimentos que falam de enfrentamento, superação, evolução dos autistas, e da postura institucional do Ministério Público para garantir direitos.
Cauã Rodrigues, 16; Davi Rodrigues, 13; Helena Rodrigues, 10; Benício Rodrigues, 8; e Matheus Rodrigues, 6. No vídeo desta terça-feira (1), o público conhecerá o dia a dia de cinco irmãos diagnosticados, que moram com uma mãe que tem deficiência visual e vêm construindo uma história linda, dentro dessa realidade que requer cuidados, mas é alicerçada no amor e na vontade de conquistar espaços enxergada em todos. Eles sabem dos laudos, comentam sobre a rotina e reforçam que o incômodo maior é justamente a falta de conhecimento da população sobre o tema, o que acaba gerando rótulos que distorcem o assunto, afetam e entristecem.
Promotor de cidadania e dignidade, o Ministério Público quer provocar reflexão, plantar sementes e aguardar a colheita de bons frutos numa sociedade que pode e deve evitar julgamentos, que precisa saber abordar, tratar com respeito crianças, jovens e adultos com esse diferencial. Por meio da campanha, o MPAL pretende provar que essas pessoas são capazes de alcançar objetivos e irem onde quiser sem, necessariamente, contar com a ajuda de terceiros. Exemplo disso é a Ana Paula Amaral, 40 anos, formada em Gestão Pública, nível superior, com o curso incompleto de Psicologia. Ela já trabalhou como secretária e, atualmente, auxilia a mãe que atua na área de eventos. Ana Paula conta que ama ir a shows, gosta do mar, de passear, dançar, treina Krav Maga – uma modalidade de defesa pessoal israelense, onde é graduada com a faixa amarela, dominando técnicas entre o aprendizado básico e o avançado. Do mesmo jeito, Carlos Eduardo Sidor, o Cadu, 11 anos, um menino, inteligente, também aluno do Krav Maga e que tem surpreendido com sua evolução, que já se distanciou de algumas dependências e é somente orgulho em casa, na escola e no tatame.
Letícia, 34 anos, servidora voluntária do Ministério Público, é mais uma personagem da campanha “Livre para voar”. Bacharela em Direito, aprovada recentemente no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), ela vive de forma independente, com a vida planejada, o que inclui sair com os amigos para se divertir e se preparar para fazer concursos. Letícia descobriu tardiamente o transtorno, há apenas um ano, e afirma administrar bem essa sua nova característica.
Dedicada à psicologia e à maternidade, Lívia Rocha viu sua vida se transformar após o diagnóstico de autismo do filho do meio. A descoberta levou seu marido a investigar a própria condição, resultando em mais um diagnóstico na família. Atenta aos sinais, Lívia também buscou avaliação para os outros dois filhos e recebeu a confirmação de que todos estavam no espectro. Diante desse novo cenário, ela decidiu ir além do papel de mãe e fundou uma clínica especializada no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), garantindo não apenas a estrutura terapêutica para seus filhos, mas também um espaço de acolhimento e desenvolvimento para outras famílias que enfrentam a mesma jornada.
O coordenador do Núcleo da Infância e da Juventude, promotor de Justiça Gustavo Arns, é um dos membros que tem participado de discussões relevantes bem como cobrado do poder público serviços de qualidade para assistir meninas e meninos com TEA.
“O Ministério Público de Alagoas tem desempenhado um papel essencial na promoção e defesa dos direitos das pessoas com transtorno do espectro autista, especialmente no que se refere à proteção integral de crianças e adolescentes. Em Maceió, temos desenvolvido diversas ações, tanto na esfera judicial quanto extrajudicial, para assegurar o acesso a serviços públicos de qualidade, como educação inclusiva, saúde especializada e apoio psicossocial. Essa é uma prioridade institucional, pautada no compromisso com a dignidade, a igualdade e a efetivação dos direitos assegurados pela legislação brasileira”, destaca o promotor.
O Ministério Público de Alagoas tem atuado com muito empenho para garantir às pessoas com TEA todos os direitos, desde a Educação e a luta por profissionais capacitados, aos acompanhamentos adequados no serviço público e privado para que se tornem cada vez mais independentes. Na busca pelo respeito a todas as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o MPAL, com essa campanha, traz provas de que, quando o acolhimento familiar acontece e o amor se sobressai, os autistas encontram o caminho para testar os seus potenciais, mostrando para si e para os outros que o diagnóstico não é uma sentença de incapacidade.
Sim, eles têm o Transtorno do Espectro Autista (TEA), cada um com sua peculiaridade, mas todos inteligentes, cheios de sonhos, com habilidades, administrando o presente e desenhando o futuro. Eles sabem que são capazes de chegar a qualquer lugar. Conheça as histórias, faça uma autoavaliação e mude de atitude. Lembre sempre que autismo não é doença, não é adjetivo, é apenas uma característica. Você já se conscientizou disso?